RECUPERAÇÃO DE LARVAS INFECTANTES DE HAEMONCHUS SP. EM CAPIM MARANDU E SUA CORRELAÇÃO COM OS COMPONENTES MORFOLÓGICOS DO PASTO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-034Palavras-chave:
Haemonchus, Controle Integrado, Microclima, Parasitas GastrointestinaisResumo
As parasitoses gastrintestinais estão entre os principais desafios para a criação de pequenos ruminantes. Como parte do ciclo destes parasitos se passa no ambiente, a alteração do microclima pelo manejo de pastagens poderia ser uma alternativa de controle. Este trabalho foi realizado com o objetivo avaliar a sobrevivência das larvas infectantes de Haemonchus sp., em duas alturas de Brachiaria brizantha¸ cultivar Marandu, bem como a influência dos componentes morfológicos do pasto nestes achados. Para isto, foi utilizada uma área experimental de 800 m2 de Brachiaria brizantha¸ cultivar Marandu, existente na Fazenda Experimental do Capim Branco, pertencente à Universidade Federal de Uberlândia. Nesta área, foram demarcadas 28 regiões com alturas médias de 10 cm e 28 regiões com 35 cm. Posteriormente, foi procedida à contaminação experimental de cada parcela pelo depósito de 5 g de fezes de ovinos com média de 1100 ovos de estrongilídeos por grama (OPG). As fezes foram cultivadas em laboratório por sete dias, a fim de que os ovos se desenvolvessem até larvas de terceiro estádio (L3). As amostras de forrageiras foram obtidas em triplicata para cada tratamento, em um raio de 10 cm (com auxílio de um quadrado de 100 cm²) da deposição do bolo fecal, cortadas rente ao solo e devidamente acondicionadas para envio ao laboratório, nos dias zero, 7, 14, 28, 42, 56 e 70, para obtenção e identificação das larvas de terceiro estádio (L3). Foram avaliados o efeito da altura (10 e 35 cm) e do tempo pós contaminação (7, 14, 28, 42, 56 e 70 dias) no modelo fatorial 2x6 pelo procedimento GLM do SAS. A média de L3 encontradas no estrato superior e inferior do pasto foi comparada pelo teste de T pareado. Além disso, os componentes morfológicos de cada parcela de capim foram correlacionados ao número de larvas de estrongilídeos recuperadas pela correlação de Spearmann. Apenas larvas de Haemonchus sp. foram encontradas em quantidades significativas, que propiciassem análise estatística. As quantidades recuperadas foram maiores 7 e 14 dias após a contaminação. Depois esta data, houve redução significativa no número de L3 recuperadas (p<0,05), mas elas puderam ser encontradas até o 70o dia pós-contaminação. Não houve diferença no número de L3 recuperadas em pasto com diferentes alturas, nem entre o estrato superior e inferior do capim (p>0,05). O número de L3 de Haemonchus sp. foi correlacionado positivamente com peso úmido total da forragem, massa úmida e seca de folha viva e morta, massa úmida e seca de colmo vivo e morto e densidade volumétrica de folha viva. Estas condições devem ser levadas em consideração quando se planejar o manejo de pequenos ruminantes em pastagens de capim Marandu.
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