GESTÃO PROATIVA E TERRITORIALIDADES HÍDRICAS NO SEMIÁRIDO: O CASO DO HIDROSSISTEMA UBALDINHO - CE
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-052Palavras-chave:
Vulnerabilidade Socioambiental, Governança da Água, Semiárido Cearense, Gestão Adaptativa, Territorialidade HídricaResumo
O semiárido brasileiro constitui território marcado por vulnerabilidades hidrossociais complexas, onde eventos de seca representam desafios estruturais para a segurança hídrica e o desenvolvimento regional. Este estudo analisa a gestão adaptativa de secas no hidrossistema Ubaldinho, localizado na Região Hidrográfica do Salgado, Ceará, problematizando os processos participativos como instrumentos de leitura territorial e construção de governança da água. A investigação adotou abordagem qualitativa através de rodas de conversa com a Comissão Gestora do açude. Os principais achados revelam que a participação social constitui elemento fundamental para legitimidade e eficácia da gestão hídrica, evidenciando a necessidade de integração entre conhecimento técnico e empírico na construção de territorialidades hídricas. As vulnerabilidades socioambientais identificadas abrangem múltiplas dimensões, enquanto as principais barreiras incluem limitações de coordenação interinstitucional e deficiências na articulação entre escalas de gestão. A transição para uma gestão adaptativa é fundamental para enfrentar as vulnerabilidades climáticas no semiárido cearense, demandando abordagens integradas que reconheçam a complexidade territorial e valorizem processos participativos na construção de soluções contextualizadas.
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