ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS DE ABANDONO DE TRATAMENTO DA HANSENÍASE: ESTUDO TRANSVERSAL EM UM MUNICÍPIO HIPERENDÊMICO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-125Palavras-chave:
Hanseníase, Tratamento Farmacológico, Pacientes que Abandonam o TratamentoResumo
Este estudo teve como objetivo analisar o perfil dos casos notificados de hanseníase que abandonaram o tratamento em um município hiperendêmico. Estudo transversal, analítico e retrospectivo, com abordagem quantitativa, de janeiro de 2007 a dezembro de 2022. Os dados foram coletados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, sendo incluídos todos casos novos de hanseníase notificados em Rondonópolis, Mato Grosso. Foram determinadas frequências absolutas e relativas dos casos de abandono e não abandono ao tratamento da hanseníase. Para cada variável, os grupos foram comparados pelo teste qui-quadrado, considerando estatisticamente significativo valor p menor que 0,05. As análises estatísticas foram realizadas no software STATA versão 16.1. Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer:6.679.133). Dentre os 938 casos novos analisados, 52 (5,54%) correspondem ao abandono do tratamento de hanseníase. Prevaleceu o perfil sexo masculino (55,77%), 20-59 anos (84,62%), escolaridade ≤ 8 anos (67,31%), raça/cor não branca (67,31%) e não deslocamento para realização do diagnóstico (100%) e características clínicas modo de detecção ativa (84,62%), forma clínica dimorfa (80,77%), classificação operacional multibacilar (100%), sem incapacidade física no diagnóstico (57,69%), lesões no diagnóstico (78,85%), sem nervos afetados (48,08%), sem episódio reacional durante o tratamento (78,85%), não realizaram baciloscopia (57,69%), esquema terapêutico inicial PQT/Multibacilar/12 doses (100%), contatos registrados (75%) e contatos examinados (48,08%). Houve associação estatística dos indivíduos que se deslocaram para outro município para obtenção do diagnóstico (valor p 0,032), classificação operacional (valor p 0,037), nervos afetados (valor p 0,043) e contatos registrados (valor p 0,004) e examinados (valor p 0,001). Desta forma, para a redução dos casos de abandono de tratamento da hanseníase neste município, sugere-se capacitação multiprofissional para identificar os quadros patológicos na atenção primária à saúde, bem como o acompanhamento adequado do tratamento, com fito de prevenir agravos e melhorar a qualidade de vida.
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