MANUSCRITOS DA ORALIDADE - ESCUTA E RESSIGNIFICAÇÃO DE HISTÓRIAS NARRADAS POR MULHERES IDOSAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-004Palavras-chave:
Gerontologia Educacional, UATI, Envelhecimento, Educação ao Longo da Vida, História OralResumo
Estudos apontam que as pessoas idosas, por terem vivenciado certa privação à educação formal, marcada por trajetórias escolares incompletas ou tardias, apresentam descrença quanto à dimensão de seus saberes. Dada a dívida histórica acumulada para com estas pessoas, o objetivo deste trabalho foi pesquisar em que medida uma ação que investe na oralidade e destaca o percurso de vida como merecedor de partilha, pode potencializá-las como sujeitos da linguagem. Sustentado na premissa de que a história oral é um caminho promissor para o deslocamento de sentidos e significados na velhice, o presente estudo propõe-se a descrever e analisar os efeitos de uma escuta sensível seguida do registo poético de narrativas de vida de 15 mulheres participantes de um projeto de extensão voltado à educação de pessoas idosas - a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Os resultados mostram que tal ação permitiu ampliar os vínculos entre diferentes períodos etários e atribuir um propósito maior aos enredos de suas vidas. Os achados também revelaram a importância dos espaços não formais de aprendizagem para o deslocamento nos modos de ser, agir e pensar das pessoas idosas. Como desdobramento desta pesquisa, sugere-se que tais histórias possam circular em outros contextos escolares - com vistas a enriquecer a escuta e a partilha do patrimônio cultural enriquecido pela longevidade.
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