ESCREVIVÊNCIA, RACISMO, VIDA E SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA DO INTERIOR DO ESTADO DA BAHIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-012Palavras-chave:
Escrevivência, Minorias Étnicas, RacismoResumo
O conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo, refere-se a uma escrita que articula experiência pessoal, memória coletiva e trajetória histórica do povo negro. Este artigo tem como objetivo descrever o impacto do racismo na vida e na saúde de pessoas negras do interior do estado da Bahia, a partir da escrevivência do autor e das narrativas de membros de sua família. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho antropológico e histórico, que utiliza a escrevivência como procedimento metodológico central, articulada à coleta de narrativas de histórias de vida de familiares paternos e maternos, com idade igual ou superior a 55 anos, considerados informantes-chave. Os relatos foram registrados por meio de gravações e diário de campo, sendo analisados a partir da interpretação hermenêutica, na perspectiva dos estudos antropológicos e da população negra. A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer nº 7.912.810. Os resultados evidenciam os impactos do racismo estrutural na trajetória de vida e no adoecimento físico e emocional dos membros da família Santos, bem como o apagamento histórico da ancestralidade negra, dificultado pela ausência de registros oficiais e pela violência histórica da escravização. O estudo contribui para o debate sobre racismo, saúde da população negra e epistemologias negras, além de apresentar a escrevivência como metodologia científica relevante no âmbito da pós-graduação e da produção acadêmica brasileira.
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