ESTUDO DA REDE DE COOPERAÇÃO DE UM ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO DO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO

Autores

  • Nívea Regina Marques Aguiar
  • Mario Mollo Neto

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-065

Palavras-chave:

Análise de Redes Sociais, Inovação, Cooperação, Ecossistema de Inovação

Resumo

A presente pesquisa aborda a importância das redes de cooperação entre instituições públicas, privadas e do terceiro setor, impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela necessidade de respostas ágeis a desafios sociais e econômicos. Essas redes favorecem a troca de conhecimento, a articulação de recursos e a construção coletiva de soluções inovadoras, especialmente nos campos da educação e da inovação. Nesse contexto, surgem os ecossistemas de inovação, ambientes interconectados que promovem sinergias entre competências, infraestrutura e capital humano, gerando valor e transformando territórios. A pesquisa apresentada concentra-se na região da Alta Paulista, em São Paulo, e busca compreender como se estruturam as redes de cooperação em ecossistemas de educação, pesquisa e inovação. O estudo utiliza a Análise de Redes Sociais (ARS), apoiada pelos softwares Netdraw® e UCINET®, para mapear interações, identificar subgrupos e mensurar indicadores estruturais. A metodologia combina abordagens qualitativas e quantitativas, caracterizando-se como exploratória e descritiva, e inclui análise documental e revisão bibliográfica em bases científicas. Os resultados revelam baixa densidade na rede global (0,011), indicando poucas conexões em relação ao potencial existente, mas maior densidade na sub-rede de inovação (0,033), sugerindo mais trocas, embora ainda insuficientes. A centralidade das sub-redes FSNTEDUC (55,8%) e  FSNTPESQINOV (30,4%) evidencia o papel estratégico da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT) como articuladora em educação, pesquisa e inovação. Em sub-redes específicas, a FSNTPESQINOV alcança 87,3% de centralidade, reforçando sua influência na dinâmica da rede. Conclui-se que a FSNT exerce papel central no ecossistema de inovação da Alta Paulista, atuando em diversas frentes — educação, pesquisa, inovação, empreendedorismo, cultura e serviços — e consolidando-se como agente estratégico na difusão de informações, coordenação de projetos e fortalecimento da governança. O aprimoramento da rede, com maior conectividade e fidelização dos laços, pode ampliar a colaboração entre os atores, potencializando impactos sociais, econômicos e tecnológicos, especialmente no agronegócio.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ABRAMOVAY, R. A rede, os nós, as teias: tecnologias alternativas na agricultura. Revista de Administração Pública. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 34 (6): 159-77, Nov./Dez. 2000.

AHUJA, Gautam; SODA, Giuseppe; ZAHEER, Akbar. The genesis and dynamics of organizational networks. Organization Science, v. 23, n. 2, p. 434-448, 2012. DOI: https://doi.org/10.1287/orsc.1110.0695. (doi.org in Bing)

BALESTRIN, A.; VARGAS, L. M. A dimensão estratégica das redes horizontais de PMEs: teorizações e evidências. Revista de Administração Contemporânea – RAC, Edição Especial, v. 8, p. 203-227. 2004.

BORGATTI, S.P., Everett, M.G. and Freeman, L.C. 2002. Ucinet® 6 for Windows: Software for Social Network Analysis. Harvard, MA: Analytic Technologies.

BORGATTI, Stephen P.; EVERETT, Martin G.; JOHNSON, Jeffrey C. Analyzing social networks. 2. ed. London: SAGE Publications, 2018.

BOURDIEU, P. 1985. The Forms of Capital. In : RICHARDSON, J. (ed.). Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education. New York : Greenwood.

BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (Org.). Sociologia. São Paulo : Ática, 1983. p. 122-155.

BRASIL. Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 3 dez. 2004.

BRASIL. Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Institui o Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação – REPES, o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras – RECAP, o Programa de Inclusão Digital, e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 22 nov. 2005.

BRASIL. Lei Complementar nº 182, de 1º de junho de 2021. Institui o Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2 jun. 2021.

BURT, Ronald S. Structural holes: the social structure of competition. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1992.

CARVALHO, Marly Monteiro de; SERRA, Fernando Antonio Ribeiro; LAURINDO, Fernando José Barbin. Cooperação e competição em redes de empresas: tipologia e mecanismos de governança. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 7, n. esp., p. 37-61, 2003.

CESAR, Marília. Caminhos e legados: O sucesso dos irmãos Nishimura na construção de uma empresa familiar. 1 ed. Pompeia: Vila Poente, 2018.

COLEMAN, James S. Social capital in the creation of human capital. American journal of sociology. Chicago, v. 94, p. 95-120, 1988.

DIAS, Cleidson N. V Encontro de Estudos em Estratégia. Redes de cooperação social como estratégia para a implementação de políticas públicas: O Caso da PNDR. 2011.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Brasília, DF: EMBRAPA, 1973. Disponível em: https://www.embrapa.br/. Acesso em: 7 fev. 2026.

ETZKOWITZ, H.; LEYDESDORFF, L. The Triple Helix–University-Industry-Government Relations: A Laboratory for Knowledge-Based Economic Development. EASST Review, v. 14, n. 1, p. 14-19, 1995.

FERREIRA, Toniel; FILHO, Valdir Antonio Vitorino. Teoria de redes: uma abordagem social, In: Revista Conteúdo, v1, nº 3, São Paulo, 2010.

FREEMAN, L. C. (1979). Centrality in social networks: Conceptual clarification. Social Networks, Vol.1 Issue 3, p.215–239.

FREEMAN, Linton C. The development of social network analysis: a study in the sociology of science. Vancouver: Empirical Press, 2004.

FUSCO, José Paulo Alves. Administração de empresas em redes: uma visão do relacionamento interorganizacional. São Paulo: Atlas, 2005.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. 3. reimpr. São Paulo: Atlas, 2021. 230 p. ISBN: 978-85-970-2057-1.

GRANDORI, Anna; SODA, Giuseppe. Inter-firm networks: antecedents, mechanisms and forms. Organization Studies, v. 16, n. 2, p. 183-214, 1995.

GRANOVETTER, Mark. The strength of weak ties. American Journal of Sociology, v. 78, n. 6, p. 1360-1380, 1973. Revisado e ampliado em diversos trabalhos posteriores, incluindo discussões sobre redes sociais em 2007.

GRANOVETTER, Mark. Economic action and social structure: the problem of embeddedness. American Journal of Sociology, Chicago, v. 91, n. 3, p. 481-510, 1985.

GRUPO JACTO, Relatório Anual. Pompeia, 2025.

HARARY, F. Graph Theory. Reading, MA: Addison-Wesley, 1969.

KIMURA, H.; TEIXEIRA, M. L. M.; GODOY, A. S. Redes sociais, valores e competências: simulação de conexões. Revista de Administração Contemporânea – RAC, Edição Especial, p. 42-57. 2004.

LAUXEN, S. L. (2024). A importância das redes colaborativas no processo de internacionalização da educação superior. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, 33(73), 36–52.

Disponível em: educa.fcc.org.br

LAVIE, D. (2006). The competitive advantage of interconnected firms: An extension of the resource-based view. Academy of Management Review, 31(3), 638-658.

LAZZARINI, Sérgio G. Empresas em rede. São Paulo: Cengage Learning, 2008. (Coleção Debates em Administração).

MARCHIORI, Marlene. Comunicação e agronegócio: propósitos e impactos. Londrina: M Marchiori, 2024. v. 3, 572 p.

MARTELETO, Regina Maria; DE OLIVEIRA E SILVA, Antonio Braz. Redes e Capital Social: o enfoque da informação para o desenvolvimento local. Ciência da Informação, [S.l.], v. 33, n. 3, jun. 2005. ISSN 1518-8353. Disponível em: http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/518/472>. Acesso em: 10 Fev. 2016.

MARTES, A. C. B. et al. Fórum – redes sociais e interorganizacionais. Revista de Administração de Empresas, v. 46, n. 3, jul./set. 2006.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Rio de Janeiro, RJ: Vozes, 2009.

MIZRUCHI, M. S. Análise de redes sociais: avanços recentes e controvérsias atuais. Revista de Administração de Empresas, v. 46, n. 3, jul./set. São Paulo: FGV, 2006.

MORAIS, Marister. Fundação - educação e inovação. 1 ed. Pompeia: Vila Poente, 2019.

OLAVE, Maria Elena Leon; AMATO NETO, João. Aglomerados industriais e redes de empresas: uma abordagem conceitual. Gestão & Produção, São Carlos, v. 8, n. 3, p. 289-303, dez. 2001.

ONU. Indicadores brasileiros para os objetivos de desenvolvimento sustentável. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2023. Disponível em: https://odsbrasil.gov.br/home/agenda. Acesso em: 29 out.2023.

ONU, 2013, Nações Unidas Brasil, Notícias: População mundial deve atingir 9,6 bilhões em 2050, diz novo relatório da ONU, Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/62954-popula%C3%A7%C3%A3o-mundial-deve-atingir-96-bilh%C3%B5es-em-2050-diz-novo-relat%C3%B3rio-da-onu, Acesso em: 11 ago. 2025.

SMOLKA, R. B. Redes de cooperação entre ebts do setor médico-hospitalar da região de São Carlos, Araraquara e Ribeirão Preto. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) São Carlos: UFSCar, 2006.

SPARROWE, R. T.; LIDEN, R. C.; KRAIMER, M. L. Social networks and the performance of individuals and groups. Academy of Management Journal, v. 44, n. 2, p. 316-325, 2001.

SZWARCFITER, Jayme Luiz. Grafos e algoritmos computacionais. Rio de Janeiro: Campus, 1984. 216 p.

THOMPSON, G. F. (2003). Between hierarchies and markets: the logics and limits of network forms of organization Oxford: Oxford University Press.

TIGRE, Paulo Bastos, 1952, Gestão da inovação: a economia da tecnologia do Brasil / Paulo Bastos Tigre. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p.157, 158.

UNESCO. Reimagining Our Futures Together: A New Social Contract for Education. Paris: UNESCO, 2021. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379707. Acesso em: 18 ago. 2025.

VERSCHOORE FILHO, Jorge Renato de Souza. Redes de cooperação interorganizacionais: a identificação de atributos e benefícios para um modelo de gestão. 2006. Tese (Doutorado em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administração, Porto Alegre.

WASSERMAN, S.; FAUST, K. Social Network Analysis: Methods and Applications. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

WATTS, Duncan J. Small worlds: the dynamics of networks between order and randomness. New Jersey : Princeton University, 1999. 264 p.

ZUIN, Luís Fernando Soares, QUEIROZ, Timóteo Ramos, 2019; Agronegócios, 2. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. p. 229, 280, 281. 2019.

Downloads

Publicado

2026-02-16

Como Citar

Aguiar, N. R. M., & Mollo Neto, M. (2026). ESTUDO DA REDE DE COOPERAÇÃO DE UM ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO DO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Revista De Geopolítica, 17(2), e1567. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-065