TEMPO DE ESPERA PARA CONSULTAS ESPECIALIZADAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: DESAFIOS ESTRUTURAIS E IMPLICAÇÕES PARA O ACESSO AO CUIDADO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-101Palavras-chave:
Acesso aos Serviços de Saúde, Atenção Especializada, Sistema Único de Saúde, Regulação em Saúde, EquidadeResumo
Considerando os desafios persistentes relacionados ao acesso à atenção especializada no Sistema Único de Saúde, sobretudo diante da crescente demanda assistencial e das limitações organizacionais da rede, este estudo parte do problema da demora no atendimento como um fator que pode comprometer a continuidade do cuidado e ampliar desigualdades em saúde. Objetiva-se analisar os elementos estruturais e organizacionais que influenciam o tempo de espera para consultas e procedimentos especializados, bem como compreender suas implicações para a eficiência do sistema público. Para tanto, procede-se a uma revisão narrativa da literatura, conduzida em bases científicas nacionais e internacionais, com seleção de publicações recentes que abordam acesso, regulação assistencial, organização das redes de atenção e estratégias de gestão. Desse modo, observa-se que a articulação insuficiente entre os níveis de atenção, associada a limitações na capacidade instalada e na coordenação do cuidado, contribui para a formação de filas assistenciais e para a ampliação das barreiras de acesso. Em contrapartida, identificam-se experiências organizacionais e tecnológicas capazes de qualificar os fluxos e favorecer maior racionalidade na utilização dos serviços. Conclui-se que o enfrentamento desse cenário exige fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, aprimoramento dos mecanismos regulatórios e investimentos em modelos de gestão que promovam maior integração da rede, favorecendo um cuidado mais oportuno, equitativo e resolutivo.
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