ATUAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA E SEUS LIMITES NA PREVENÇÃO DO FEMINICÍDIO

Autores

  • Livia Faria Orso
  • Emely Marcelle Silveira Santos
  • Vitoria Regina Lemos dos Santos
  • Carolina Andréa Santos
  • Diego Giambartholomei dos Santos Silva
  • Marynna Kelly Pinto Campos
  • Alcimária Silva dos Santos
  • Fabíola Falcao de Lima Ferreira
  • Sandra Regina Mousinho Azevedo
  • Jéssica Aniely Souza Adamo
  • Tharinne Oliveira Silva Cavalheiro
  • Kelly Cristina Encide de Vasconcelos Donadai
  • Andreia Karla de Carvalho Barbosa Cavalcante
  • Vinicius de Lima Lovadini

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-104

Palavras-chave:

Violência Contra a Mulher, Feminicídio, Rede de Atenção, Atenção Primária à Saúde, Políticas Públicas de Saúde

Resumo

Considerando que a violência contra a mulher constitui grave violação de direitos humanos e relevante problema de saúde pública, o feminicídio configura-se como seu desfecho mais extremo, revelando falhas persistentes nos mecanismos estatais de proteção. No Brasil, apesar da existência de marcos legais e normativos robustos, a recorrência de mortes evitáveis evidencia limites na atuação da Rede de Atenção à Mulher em Situação de Violência. Objetiva-se analisar a atuação dessa rede e identificar seus limites na prevenção do feminicídio, contextualizando a magnitude da violência a partir de indicadores nacionais, descrevendo o papel atribuído à Atenção Primária à Saúde e aos demais pontos da rede, bem como examinando entraves que dificultam acolhimento, avaliação de risco, proteção e continuidade do cuidado. Para tanto, procede-se a um estudo de natureza teórico-analítica, com abordagem qualitativa, fundamentado em revisão narrativa da literatura científica e análise documental de legislações, normativas e guias institucionais nacionais e internacionais. Desse modo, observa-se que os principais limites da rede não decorrem da ausência de diretrizes, mas da fragilidade da governança intersetorial, da assimetria territorial na capacidade de resposta, da descontinuidade do cuidado e do uso incipiente das informações produzidas para fins de vigilância e prevenção. O que permite concluir que a prevenção do feminicídio exige o fortalecimento efetivo da Rede de Atenção, com integração entre setores, qualificação permanente das práticas em saúde e compromisso institucional com respostas contínuas e territorialmente sensíveis.

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Publicado

2026-02-20

Como Citar

Orso, L. F., Santos, E. M. S., dos Santos, V. R. L., Santos, C. A., Silva, D. G. dos S., Campos, M. K. P., dos Santos, A. S., Ferreira, F. F. de L., Azevedo, S. R. M., Adamo, J. A. S., Cavalheiro, T. O. S., Donadai, K. C. E. de V., Cavalcante, A. K. de C. B., & Lovadini, V. de L. (2026). ATUAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA E SEUS LIMITES NA PREVENÇÃO DO FEMINICÍDIO . Revista De Geopolítica, 17(2), e1622. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-104