DINÂMICA SOCIOTERRITORIAL E FORMAÇÃO DE JUARA NA AMAZÔNIA MATO-GROSSENSE: COLONIZAÇÃO, EXPANSÃO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA E PROBLEMAS AMBIENTAIS
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-098Palavras-chave:
Amazônia Mato-Grossense, Ocupação Capitalista, Dinâmica Territorial, Transformações Socioambientais, Degradação AmbientalResumo
O estudo analisa o processo de formação territorial de Juara, na Amazônia mato-grossense e suas bases políticas e socioambientais, bem como as contradições inerentes ao projeto capitalista constituído. A pesquisa demonstra que a origem do município decorreu de dinâmicas migratórias induzidas por políticas estatais integracionistas que, articuladas à empresa privada de colonização, promoveram a mercantilização da terra, a expansão da fronteira agrícola e a inserção socioeconômica do território. O avanço resultou no crescimento econômico baseado na supressão e exploração florestal e na degradação de ecossistemas presentes, evidenciando a apropriação de recursos na Amazônia brasileira, além de conflitos que envolveram povos indígenas que habitavam a região e foram submetidos à desterritorialização e violência institucionalizada. Ao reconstruir historicamente essas dinâmicas, o resultado demonstra como o processo foi estruturado por relações assimétricas de poder e por estratégias econômicas que aprofundaram desigualdades sociais e degradação ecológica. Conclui-se que a compreensão crítica desse percurso é fundamental para subsidiar modelos alternativos de gestão territorial orientados pela justiça socioambiental e pelo reconhecimento das territorialidades tradicionais pré-existentes, bem como a necessidade de preservação da biodiversidade.
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