DESIGUALDADES DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NO SEMIÁRIDO BAIANO: ANÁLISE DA AGRICULTURA FAMILIAR E NÃO FAMILIAR
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov16n4-017Palavras-chave:
Rural, Desenvolvimento Econômico Desigual, Políticas Públicas, SemiáridoResumo
O artigo se propõe a caracterizar as transformações ocorridas na agricultura familiar, examinando os aspectos sociais, econômicos e políticos no Semiárido Baiano. Partindo do pressuposto de que o mundo rural permanece uma categoria importante para a análise das relações entre as classes sociais. O estudo integrou revisão bibliográfica, análise documental e os dados quantitativos do Censo Agropecuário de 2017, comparando a agricultura familiar e a não familiar. Na condução deste estudo, adotou-se o método do materialismo histórico dialético, uma vez que a região do semiárido é parte de um conjunto articulado pelas relações sociais, econômicas e políticas. Os resultados evidenciam a persistência de desigualdades fundiárias, a baixa inserção de agricultores familiares em políticas de crédito e a relevância dessa categoria para a geração de empregos e a produção de alimentos. Conclui-se que, apesar das adversidades e do desenvolvimento desigual, a agricultura familiar mantém-se resiliente, adaptando-se e reivindicando políticas públicas que valorizem as especificidades culturais e produtivas do Semiárido.
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