ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NA ESCOLA PÚBLICA BRASILEIRA: POSSIBILIDADES, DESAFIOS E CAMINHOS PARA A INCLUSÃO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-031Palavras-chave:
Educação Inclusiva, Atendimento Educacional Especializado, Políticas PúblicasResumo
O presente artigo apresenta o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contexto da escola pública brasileira, considerando seus fundamentos normativos, sua natureza pedagógica e os desafios e possibilidades de sua implementação na perspectiva da educação inclusiva. Parte-se do reconhecimento de que, embora o AEE esteja consolidado no ordenamento jurídico como direito educacional e instrumento de promoção da equidade, sua efetivação no cotidiano escolar depende de condições estruturais, formativas e institucionais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em análise documental e bibliográfica, com base na análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). O corpus analítico compreende marcos legais nacionais e internacionais, bem como produções teóricas relevantes sobre educação inclusiva. Os resultados evidenciam que o AEE se configura como serviço pedagógico complementar ou suplementar ao ensino comum, orientado à eliminação de barreiras à aprendizagem e à participação, mas sua implementação ainda é marcada por fragilidades, especialmente no que se refere à formação docente, à infraestrutura, ao trabalho colaborativo e à articulação intersetorial. A discussão aponta que a efetividade do AEE depende de sua integração ao projeto político-pedagógico da escola, do fortalecimento de práticas colaborativas e da adoção de estratégias pedagógicas inclusivas, como adaptações curriculares e o uso de tecnologias assistivas. Conclui-se que o AEE possui elevado potencial transformador, desde que sustentado por políticas públicas consistentes, investimento institucional e compromisso com a construção de uma cultura escolar orientada pela equidade, pela acessibilidade e pela justiça social.
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