PERTENCER PARA PERMANECER: IDENTIDADE E PROJETOS DE VIDA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-020Palavras-chave:
Educação Rural, Sustentabilidade, Sucessão Familiar, Juventude no CampoResumo
Para manter a continuidade e a sustentabilidade das atividades agrícolas, particularmente na agricultura familiar, o processo de sucessão é essencial. Entretanto, a decisão de continuar no campo e assumir a administração das propriedades agrícolas está cada vez mais ligada a fatores diversos, um deles é o nível educacional e o acesso ao conhecimento. Muitos jovens tendem a migrar para áreas urbanas em busca de melhores oportunidades educacionais e profissionais, resultando na diminuição do número de sucessores nas propriedades rurais. Diante deste contexto esta pesquisa teve como objetivo verificar a valorização do conhecimento dos adolescentes e jovens de famílias em pequenas propriedades rurais como fator de impacto na sucessão de terras e na sustentabilidade econômica. O estudo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa e quantitativa que buscou compreender como esse público interpreta a dinâmica escolar, tendo como principal foco a construção de sentidos sobre futuro, trabalho e pertencimento no âmbito rural. Para tanto, foram utilizadas duas técnicas metodológicas: o Desenho Livre, que possibilitou a expressão espontânea de sentimentos e visões de mundo, e a Técnica KSD (Kinetic School Drawings), que permitiu identificar elementos a serem mantidos, modificados ou aprimorados no contexto rural segundo a ótica dos participantes. Os resultados indicaram que os adolescentes de famílias rurais do assentamento estudado apresentam valorização do conhecimento permeada, porém há um sentimento de isolamento e não pertencimento no Âmbito escolar. Destaca-se, contudo, a percepção positiva em relação aos professores, que atuam como figuras de apoio. Esses fatores influenciam as perspectivas de continuidade nos estudos, condição essencial para a sucessão familiar nas propriedades rurais, ao possibilitar que os jovens adquiram conhecimentos técnicos sobre práticas agroecológicas, gestão de recursos e inovação produtiva, sem romper com suas raízes comunitárias quando estudam nas escolas que consideram o ambiente ao qual eles pertencem.
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