PERTENCER PARA PERMANECER: IDENTIDADE E PROJETOS DE VIDA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO

Autores

  • Nadine Vogel
  • José Antônio Maior Bono
  • Victória Matias Souza da Cunha
  • Marcio Homem da Silva Rizzon

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-020

Palavras-chave:

Educação Rural, Sustentabilidade, Sucessão Familiar, Juventude no Campo

Resumo

Para manter a continuidade e a sustentabilidade das atividades agrícolas, particularmente na agricultura familiar, o processo de sucessão é essencial. Entretanto, a decisão de continuar no campo e assumir a administração das propriedades agrícolas está cada vez mais ligada a fatores diversos, um deles é o nível educacional e o acesso ao conhecimento. Muitos jovens tendem a migrar para áreas urbanas em busca de melhores oportunidades educacionais e profissionais, resultando na diminuição do número de sucessores nas propriedades rurais. Diante deste contexto esta pesquisa teve como objetivo verificar a valorização do conhecimento dos adolescentes e jovens de famílias em pequenas propriedades rurais como fator de impacto na sucessão de terras e na sustentabilidade econômica. O estudo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa e quantitativa que buscou compreender como esse público interpreta a dinâmica escolar, tendo como principal foco a construção de sentidos sobre futuro, trabalho e pertencimento no âmbito rural. Para tanto, foram utilizadas duas técnicas metodológicas: o Desenho Livre, que possibilitou a expressão espontânea de sentimentos e visões de mundo, e a Técnica KSD  (Kinetic School Drawings), que permitiu identificar elementos a serem mantidos, modificados ou aprimorados no contexto rural segundo a ótica dos participantes. Os resultados indicaram que os adolescentes de famílias rurais do assentamento estudado apresentam valorização do conhecimento permeada, porém há um sentimento de isolamento e não pertencimento no Âmbito escolar. Destaca-se, contudo, a percepção positiva em relação aos professores, que atuam como figuras de apoio. Esses fatores influenciam as perspectivas de continuidade nos estudos, condição essencial para a sucessão familiar nas propriedades rurais, ao possibilitar que os jovens adquiram conhecimentos técnicos sobre práticas agroecológicas, gestão de recursos e inovação produtiva, sem romper com suas raízes comunitárias quando estudam nas escolas que consideram o ambiente ao qual eles pertencem.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior. Portaria nº 238 de 23 de Abril de 2013. Disponível em: https://abmes.org.br/arquivos/legislacoes/Portaria-mec-238-2021-04-23.pdf. Acesso em: 12 ago. 2024.

ANDRE, J.; JANZEN, H. A global approach for the interpretation of the kinetic school drawing (KSD): a quick scoring sheet, reference guide, and rating scale. Psychology in the Schools, v. 25, 1988.

ARENDS-KUENNING, M. et al. Gender, education, and farm succession in Western Paraná State, Brazil. Land Use Policy, [S.l.], v. 107, p. 105453, Aug. 2021.

ARROYO, M. G. Políticas de formação de educadores(as) do campo. Caderno CEDES, Campinas, v. 27, n. 72, mai/ago 2007.

ARROYO, M. G. Outros Sujeitos, Outras Pedagogias Vozes, 2012

BANDURA, Albert. Aprendizagem social e desenvolvimento da personalidade. Tradução de Odilon Soares. São Paulo: Herder, 1979.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. https://br.search.yahoo.com/search?fr=mcafee&type=E210BR1485G0&p=BRASIL.+Constitui%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+Federativa+do+Brasil%2C+1988.Acesso 18 ago 2024

BRASIL, Lei 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Diário Oficial da União, dia 25/07/2006.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em: 18 Ago. 2024

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=7961-1-anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&category_slug=dezembro-2017-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 18 Ago 2024.

BRASIL. Ministério da Educação, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/pronacampo. Acesso em: 17 ago 2024.

BRASIL. Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF, 1996.

BURNS, R. C.; KAUFMAN, S. H. Actions, Styles and Symbols in Kinetic Family Drawings (K-F-D): An Interpretative Manual. New York: Brunner/Mazel, 1972.

BURNS, R. C.; KAUFMAN, S. H. Kinetic Family Drawings (KFD): An Introduction to Understanding Children through Kinetic Drawings. New York: Brunner/Mazel, 1972.

DIAS, C. M.; SILVA, C. F. Teoria da aprendizagem social de Bandura na formação de habilidades de conversação. Psicologia, Saúde & Doenças, 20(1), 2019.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1999.

GOHN, M. G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 14, n. 50, p. 27-38, jan./mar. 2006.

GOODENOUGH, F. L. Measurement of Intelligence by Drawings. Yonkers-on-Hudson (NY): World Book Company, 1926.

INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Ministério do Desenvolvimento Agrário. Publicado em 28/01/2020 16h33 Atualizado em 07/05/2024, 2024a. https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/reforma-agraria/assentamentos Publicado em 28/01/2020 16h33 Atualizado em 07/05/2024 11h57, Acesso em 19/07/2024

KOPPITZ, E. M. Psychological Evaluation of Children’s Human Figure Drawings. New York: Grune & Stratton, 1968.

LARA, L. D. et al. O adolescente e a escolha profissional: compreendendo o processo de decisão. Arquivos Ciências da Saúde Unipar, Umuarama, 9(1), jan./abr. p. 57-61, 2005.

MACHOVER, K. Personality Projection in the Drawing of the Human Figure: A Method of Personality Investigation. Springfield: Charles C. Thomas, 1949.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

SILVA, J. F. Uniforme escolar e identidade coletiva: representações e significados. Educação & Sociedade, Campinas, v. 32, n. 115, p. 755-772, 2011.

SOUZA, M. C. O uniforme escolar como símbolo de pertencimento e disciplina. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 47, n. 164, p. 890-912, 2017.

TOMASETTO, M. Z. C.; LIMA, J. F.; SHIKIDA, P. F. A. Desenvolvimento local e agricultura familiar: o caso da produção de açúcar mascavo em Capanema - Paraná. INTERAÇÕES, Campo Grande, v. 10, n. 1, p. 21-30, jan./jun. 2009.

TRINCA, W. Desenho livre: procedimento de investigação psicológica. 4. ed. São Paulo: Vetor, 1997.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. (Original publicado em 1934).

WALLON, H. Da ação ao pensamento. Trad. José L. Garcia Rosa. Lisboa: Moraes Editores, 1979. (Obra original publicada em 1942).

WANDERLEY, M.N.B.; Raízes históricas do campesinato brasileiro. Agricultura familiar: realidades e perspectivas. In: Anais Unifal, v. 3, p. 21-55, 1999. Disponível em: https://www.unifal-mg.edu.br/geres/files/Texto%205.pdf. Acesso 20 de junho de 2024.

WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

Downloads

Publicado

2026-05-08

Como Citar

Vogel, N., Bono, J. A. M., da Cunha, V. M. S., & Rizzon, M. H. da S. (2026). PERTENCER PARA PERMANECER: IDENTIDADE E PROJETOS DE VIDA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO. Revista De Geopolítica, 17(5), e2347. https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-020