ESTRATÉGIAS DE SAÚDE PÚBLICA E INTERVENÇÕES CLÍNICAS NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO POR USO DE ÁLCOOL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-092Palavras-chave:
Transtorno por Uso de Álcool, Farmacoterapia, Terapias Comportamentais, Redução de Danos, Craving Alcoólico, Agonistas do Receptor de Glp-1Resumo
O Transtorno por Uso de Álcool (TUA) é um importante problema de saúde pública mundial, associado à elevada morbimortalidade, aos altos custos socioeconômicos e às limitações terapêuticas ainda existentes. Apesar do progressivo desenvolvimento de intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas, grande parte dos indivíduos acometidos permanece sem tratamento adequado devido ao subdiagnóstico, à baixa procura espontânea por tratamento, estigma relacionado ao alcoolismo, à baixa adesão, acesso limitado a serviços especializados e baixa capacitação dos profissionais. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar as principais estratégias de saúde pública e intervenções clínicas utilizadas no tratamento do TUA, com ênfase nas terapias comportamentais, na farmacoterapia tradicional, nas novas abordagens terapêuticas e nas inovações farmacológicas. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura baseada em artigos científicos recentes selecionados na base PubMed. Os estudos analisados demonstraram que intervenções integradas envolvendo Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Entrevista Motivacional e farmacoterapia apresentam melhores desfechos clínicos, especialmente na redução do consumo pesado e na prevenção de recaídas. Entre os tratamentos farmacológicos, destacam-se naltrexona, acamprosato e dissulfiram, além de agentes reposicionados, como topiramato, gabapentina e baclofeno, que apresentam potencial benefício em perfis específicos de pacientes, particularmente naqueles com sintomas de abstinência alcoólica, padrão de consumo pesado ou doença hepática avançada. Além disso, nos últimos anos, os agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, emergiram como potenciais alternativas terapêuticas, demonstrando redução do craving, do consumo alcoólico e das hospitalizações relacionadas ao álcool em estudos clínicos e observacionais. Conclui-se que o manejo do TUA requer abordagem multidisciplinar, individualizada e centrada na integração entre saúde mental, atenção primária e intervenções farmacológicas. O avanço no desenvolvimento de novas terapias poderá ampliar as possibilidades terapêuticas e contribuir para melhores desfechos clínicos e sociais relacionados ao transtorno.
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Referências
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