JUDICIALIZACIÓN EN EL SECTOR DE SALUD SUPLEMENTARIA EN BRASIL: UNA PERSPECTIVA DE GOBERNANZA ADMINISTRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-152Palabras clave:
Gobernanza Judicial, Salud Suplementaria, InstitucionalismoResumen
Este artículo examina la disfuncionalidad de la judicialización en la sanidad complementaria brasileña como un problema de gobernanza. Adopta un enfoque interdisciplinario que integra la Teoría de la Organización y la Gobernanza para explicar por qué los jueces sistemáticamente ignoran leyes, contratos y precedentes vinculantes en litigios sanitarios, incluso cuando las normas son claras y la jurisprudencia de los tribunales superiores está consolidada. La tesis central es que este patrón resulta de tres causas concurrentes, analizadas desde el marco institucionalista de North y Williamson: en primer lugar, una estructura de incentivos que hace que el costo de decidir en contra de la norma sea prácticamente nulo para el juez; en segundo lugar, un sustrato cultural de resistencia a la impersonalidad de las normas, históricamente sedimentado e irreductible a reformas legislativas; en tercer lugar, la captura cognitiva del proceso de toma de decisiones por heurísticas, activadas con particular intensidad por narrativas procesales estructuradas en torno a la urgencia y el riesgo para la vida. La previsibilidad del patrón es, en sí misma, evidencia de que se trata de un problema de gobernanza, no de una desviación individual. Se concluye que para afrontar eficazmente se requieren respuestas calibradas según el nivel causal: rediseño de incentivos y fortalecimiento de los mecanismos de rendición de cuentas a nivel formal; especialización de los tribunales y transparencia en las decisiones a nivel institucional informal; y exigencia sistemática de apoyo técnico a la NAT-Jus, deferencia cualificada a la ANS y mayor carga argumentativa cuando el magistrado decide en contravención de los parámetros regulatorios a nivel cognitivo.
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Referencias
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