PEDAGOGÍA DE LA OBEDIENCIA: RELIGIÓN Y TRABAJO EN LOS LIBROS DE LECTURA DEL SIGLO XIX

Autores/as

  • Cleidiane Morais

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-016

Palabras clave:

Enseñanza de la Lectura, Religión Católica, Libros de Texto, Trabajo y Disciplina Social

Resumen

Este artículo analiza la relación entre la enseñanza de la lectura, la religión y el trabajo en la educación primaria en Ceará, Brasil, durante la segunda mitad del siglo XIX. Sus principales fuentes son los libros de texto escolares de la época, especialmente los libros de lectura de Abílio César Borges y el "Método Facílimo" de Emílio Achilles Monteverde. Se argumenta que estos materiales impresos, lejos de limitarse a la alfabetización, funcionaban como instrumentos para difundir una moral cristiana católica articulada dentro de un proyecto de disciplina social. Mediante fábulas, cuentos, máximas e imágenes, estos libros inculcaban valores como la obediencia, la resignación, el temor, la caridad y la valoración del trabajo, contribuyendo a la formación de individuos dóciles, económicamente útiles y adaptados al orden imperante. El estudio muestra que la lectura se concebía no como una práctica autónoma ni orientada al placer, sino como un medio para interiorizar normas morales y religiosas, frecuentemente basadas en una pedagogía del miedo y la culpa. En este contexto, religión y trabajo se presentan como pilares complementarios en la construcción de una ética orientada a mantener la jerarquía social, especialmente en lo que respecta a los pobres, para quienes la educación primaria tenía como objetivo formar una fuerza laboral disciplinada y obediente. Al mismo tiempo, se destaca el papel de la Iglesia y las élites letradas en la legitimación de este orden, así como el uso de los libros de texto como vehículos de un proyecto civilizador que buscaba conciliar progreso, fe y control social.

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Publicado

2026-05-08

Cómo citar

Morais, C. (2026). PEDAGOGÍA DE LA OBEDIENCIA: RELIGIÓN Y TRABAJO EN LOS LIBROS DE LECTURA DEL SIGLO XIX. Revista De Geopolítica, 17(5), e2343. https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-016