EFLUXO DE CO₂ DO SOLO E DO TRONCO EM Bertholletia excelsa EM UMA FLORESTA AMAZÔNICA PRIMÁRIA: CONDUTORES AMBIENTAIS E DINÂMICA SAZONAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-057Palavras-chave:
Respiração do Solo, Carbono Florestal, Castanheira-do-Brasil, Gás Traço, AmazôniaResumo
A quantificação das emissões de dióxido de carbono (CO₂) provenientes de múltiplos compartimentos florestais é essencial para compreender o funcionamento dos ecossistemas em paisagens amazônicas. Este estudo avaliou o efluxo de CO₂ do solo e dos troncos de Bertholletia excelsa Bonpl. em uma floresta nativa madura localizada na Floresta Nacional do Tapajós, Pará, Brasil, durante a transição da estação seca para o início da estação chuvosa. Quinze árvores adultas foram monitoradas, e os fluxos de CO₂ foram medidos com um analisador infravermelho de gases utilizando câmaras adaptadas para solo e tronco. O efluxo de CO₂ do solo variou de 4,2 a 6,8 µmol m⁻² s⁻¹ e representou a principal fonte de emissões, sendo amplamente regulado pela umidade, matéria orgânica e temperatura. As emissões do tronco variaram de 0,8 a 2,1 µmol m⁻² s⁻¹ e apresentaram relação positiva com o diâmetro do tronco, indicando o papel respiratório substancial de grandes árvores emergentes e a influência dos processos internos de transporte de CO₂. A dinâmica sazonal modulou fortemente os fluxos, com aumento acentuado da respiração do solo no início da estação chuvosa, refletindo a reativação microbiana após os primeiros eventos de precipitação. Esses resultados demonstram que tanto o solo quanto os tecidos lenhosos contribuem significativamente para as trocas de carbono em nível ecossistêmico e devem ser considerados em programas de monitoramento de carbono. Os achados reforçam a necessidade de incorporar a respiração do tronco, os pulsos microbianos induzidos pela hidrologia e os atributos estruturais das árvores em modelos de carbono para reduzir incertezas nas estimativas do balanço de carbono amazônico. O estudo destaca a importância ecológica de B. excelsa e fornece evidências empíricas para apoiar estratégias aprimoradas de conservação florestal e mitigação climática.
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