“MAPA DO CAMINHO”: A CONSTRUÇÃO DE ROTEIROS POLÍTICOS PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E A JUSTIÇA CLIMÁTICA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-099Palavras-chave:
Transição Energética, Justiça Climática, Financiamento Climático, Governança GlobalResumo
O relatório Mapa do Caminho, vinculado ao percurso da COP entre Baku-Belém, situa a transição energética e a justiça climática no centro do desafio de ampliar o financiamento climático para países em desenvolvimento, com meta de alcançar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035. O documento destaca que a crise climática exige urgência, cooperação internacional, reforma dos fluxos financeiros e construção de trajetórias capazes de articular mitigação, adaptação, perdas e danos, acesso à energia e transições justas. Nesse contexto, o presente artigo tem como objeto de análise os roteiros políticos formulados no âmbito do “Mapa do Caminho Baku-Belém”, considerando sua contribuição para a transição energética, a justiça climática e a reorganização do financiamento climático internacional. A pergunta de partida que orienta a pesquisa é: de que maneira os roteiros políticos propostos no Mapa do Caminho Baku-Belém podem contribuir para uma transição energética justa, financeiramente viável e socialmente comprometida com os países e populações mais vulneráveis à crise climática? O referencial teórico-metodológico deste estudo estrutura-se, principalmente, a partir do documento “Mapa do Caminho Baku-Belém” (2025), considerando suas proposições sobre financiamento climático, descarbonização das matrizes energéticas, expansão das energias renováveis e construção de mecanismos financeiros voltados à transição energética justa nos países em desenvolvimento. Em articulação com o relatório, o estudo dialoga com Acselrad (2010), Beck (1992; 2008), Chakrabarty (2021), Daly (2008), Giddens (1991; 2000; 2009), Gudynas (2004; 2015), Harvey (2003; 2006; 2007; 2014), Klein (2014; 2019), Krenak (2019), Latour (1993; 2017; 2018), Leff (1998; 2001; 2006), Malm (2016), Martinez-Alier (2002), Mitchell (2011), Moore (2015; 2016), Ostrom (2005; 2015), Polanyi (2001; 2005), Porto-Gonçalves (2006; 2019), Rifkin (2002; 2011; 2019), Shiva (2015; 2016), Smil (2010; 2017; 2022), Stern (2015), Svampa (2016; 2019), Yergin (2020), entre outros autores do campo da justiça climática, da economia política ambiental, da governança global do clima e das transformações contemporâneas dos sistemas energéticos. A metodologia é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os achados da pesquisa demonstraram que o “Mapa do Caminho Baku-Belém” propõe reorganização ampla do financiamento climático internacional, articulando transição energética, justiça climática, adaptação territorial e fortalecimento da cooperação multilateral para reduzir desigualdades globais no acesso ao capital climático. O estudo identificou que a viabilidade da descarbonização depende da ampliação dos financiamentos concessionais, da reforma da arquitetura financeira internacional e da democratização do acesso à energia limpa nos países mais vulneráveis à crise climática. A pesquisa também evidenciou que o Roadmap associa sustentabilidade ambiental, proteção territorial, inclusão social e desenvolvimento econômico como dimensões interdependentes da governança climática contemporânea.
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