TRANSMISSÃO INDIRETA DE CHOQUES GEOPOLÍTICOS EM CADEIAS DE SUPRIMENTOS: EVIDÊNCIAS DE UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES EM FOZ DO IGUAÇU – PR

Autores

  • Carlos Alexandre Baierle
  • Lucas Felipe Piovesani Tidre
  • Matheus de Oliveira Vallejo Camargo
  • Aécio Flávio de Paula Filho
  • Sinvales Roberto de Souza

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-134

Palavras-chave:

Cadeia de Suprimentos, Fertilizantes, Choques Geopolíticos, Resiliência, Cadeias Globais de Valor

Resumo

Este artigo analisa como uma indústria de fertilizantes localizada em Foz do Iguaçu percebeu e internalizou efeitos associados ao choque geopolítico da Guerra da Ucrânia no contexto de instabilidade global do mercado de fertilizantes. O estudo busca compreender de que forma impactos indiretos, relacionados à precificação internacionalizada, câmbio, custos logísticos e lead time, afetaram a operação da empresa. A pesquisa possui abordagem qualitativa, caráter exploratório e delineamento de estudo de caso único, utilizando entrevistas semiestruturadas com profissionais das áreas de suprimentos, logística, faturamento e gestão, além da análise de documentos internos entre 2021 e 2023. Os dados foram analisados por meio de Análise de Conteúdo e triangulação entre entrevistas, documentos e literatura. Os resultados indicam que os principais impactos não ocorreram por ruptura física do abastecimento, mas pela transmissão indireta de instabilidades de preço, prazo e custos, gerando replanejamento operacional, pressão sobre estoques e necessidade de adaptação interna. Conclui-se que empresas locais podem sofrer efeitos significativos de choques globais mesmo sem dependência direta de importação, devido à estrutura internacionalizada da cadeia de suprimentos.

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Publicado

2026-05-26

Como Citar

Baierle, C. A., Tidre, L. F. P., Camargo, M. de O. V., de Paula Filho, A. F., & de Souza, S. R. (2026). TRANSMISSÃO INDIRETA DE CHOQUES GEOPOLÍTICOS EM CADEIAS DE SUPRIMENTOS: EVIDÊNCIAS DE UMA INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES EM FOZ DO IGUAÇU – PR. Revista De Geopolítica, 17(5), e2501 . https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-134