ENTRE O SAGRADO E O COTIDIANO: A PERCEPÇÃO DA PESSOA IDOSA SOBRE O ENVELHECER NO CANDOMBLÉ
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n6-030Palavras-chave:
Envelhecimento, Candomblé, Espiritualidade, Preconceito, Qualidade de VidaResumo
Nas sociedades ocidentais, o envelhecimento tem sido frequentemente associado às perdas e incapacidades, decorrente de determinantes físicos, cronológicos, sociais e culturais que repercutem diretamente na qualidade de vida da pessoa idosa. Diante do aumento da expectativa de vida, impõe-se a necessidade de abordagens integrais que considerem, além das condições de saúde, os aspectos psicossociais, os vínculos interpessoais e as dimensões da espiritualidade e religiosidade como componentes relevantes do bem-estar. No contexto do Candomblé, a pessoa idosa ocupa posição central na organização simbólica e ritual. Por tratar-se de uma tradição religiosa fundamentada na transmissão oral de saberes, ritos e cosmologias, os mais velhos configuram-se como depositários da memória coletiva e agentes de continuidade cultural de uma prática que resiste há mais de três séculos. Nesse sentido, o presente estudo objetivou compreender a percepção da pessoa idosa acerca de sua experiência em um terreiro de Candomblé e analisar possíveis repercussões dessa vivência em sua qualidade de vida. Trata-se de estudo de abordagem qualitativa, com delineamento transversal, realizado com sete praticantes do Candomblé, de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 60 anos. Foi utilizada uma entrevista semiestruturada para o aprofundamento qualitativo das narrativas. A análise evidenciou a centralidade da religiosidade como fonte de pertencimento, reconhecimento social e sentido existencial, expressa em categorias como exemplaridade, gratidão e valorização no âmbito do terreiro. Em contrapartida, no que concerne à inserção social ampliada, emergiram relatos de sentimentos de inutilidade, finitude e experiências de preconceito associadas à prática religiosa.
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