ENVELHECIMENTO DA MULHER NEGRA E NEUROPSICOPEDAGOGIA: DESAFIOS INTERSECCIONAIS E ESTRATÉGIAS PARA A QUALIDADE DE VIDA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-033Palavras-chave:
Envelhecimento, Mulheres Negras, Neuropsicopedagogia, Interseccionalidade, Racismo EstruturalResumo
O artigo explora o envelhecimento acelerado da população brasileira, focando nos desafios enfrentados por mulheres negras, um grupo vulnerável devido ao racismo estrutural, desigualdade de gênero e condições socioeconômicas. Essas mulheres vivenciam uma exclusão cumulativa que afeta sua saúde, bem-estar, acesso a direitos e capacidade de aprendizagem. Objetiva-se analisar a relação entre o envelhecimento das mulheres negras e as contribuições da neuropsicopedagogia para a promoção da qualidade de vida, autonomia e aprendizagem nesse grupo. Para tanto, procede-se a uma abordagem qualitativa, descritiva e analítica, fundamentada em pesquisa bibliográfica. Desse modo, observa-se que a neuropsicopedagogia emerge como campo essencial, articulando saberes da neurociência, psicologia e pedagogia para compreender o envelhecimento como um processo dinâmico e contínuo de aprendizagem, valorizando a plasticidade cerebral e as experiências socioculturais. O estudo destaca a importância de intervenções neuropsicopedagógicas pautadas na valorização da identidade, cultura e saberes tradicionais dessas mulheres, promovendo autoestima, pertencimento e participação social, apesar das barreiras de acesso como desigualdades socioeconômicas e modelos eurocêntricos. Conclui-se que uma neuropsicopedagogia crítica e interseccional é crucial para a promoção da equidade, dignidade e qualidade de vida das mulheres negras na velhice, reafirmando o aprendizado como um direito inalienável ao longo da vida.
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