NARRATIVAS COLETIVAS SOBRE CONFLITO DE USO, POLÍTICAS PÚBLICAS E MODOS DE VIDA NA ORLA DE SANTARÉM, PARÁ
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-046Palavras-chave:
Governança Socioambiental, Conflitos Territoriais, Narrativas Coletivas, Ribeirinhos, AmazôniaResumo
A orla de Santarém-PA constitui um território marcado por intensos conflitos de uso, reorganizações socioespaciais e pressões ambientais decorrentes da expansão urbana e da logística portuária. Diante desse cenário, o estudo justifica-se pela necessidade de compreender como diferentes atores estruturam racionalidades, percepções e estratégias de ação frente às tensões territoriais que incidem sobre modos de vida ribeirinhos. Objetiva-se analisar, por meio de narrativas coletivas, os sentidos atribuídos a conflitos socioambientais, riscos operacionais, políticas públicas e processos de governança. Para tanto, adota-se abordagem qualitativa alinhada à crítica decolonial, combinada a procedimentos lexicográficos no IRaMuTeQ (CHD, AFC, rede de similitude e nuvem de palavras). Os resultados evidenciam a centralidade do pescador artesanal como nodo articulador entre esferas ecológicas, comunitárias e institucionais, destacando saberes bioculturais, como o calendário lunar e a leitura da correnteza, como dispositivos técnicos de manejo. Observa-se que a dinâmica territorial é atravessada por estruturas de colonialidade e por expressões de racismo ambiental, manifestas sobretudo na expansão portuária e na vulnerabilidade das comunidades da orla. Conclui-se que a governança socioambiental depende da integração entre epistemologias ribeirinhas e mecanismos intersetoriais de gestão, capazes de orientar políticas públicas mais justas e territorialmente sensíveis.
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