REGIÃO OFICIAL, REGIÃO VIVIDA: A AMCESPAR E A INVENÇÃO DO “CENTRO-SUL” DO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-139Palavras-chave:
Regionalizações Oficiais do IBGE, Identidade Territorial, Consórcios Intermunicipais, Denominações Político-IdentitáriasResumo
O artigo analisa a denominação “Centro-Sul do Paraná”, apropriada pela Associação dos Municípios do Centro-Sul do Paraná (AMCESPAR) e amplamente difundida por atores midiáticos e institucionais, à luz das regionalizações oficiais produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES). A partir de uma abordagem histórico-geográfica e crítica, fundamentada no debate sobre região como categoria analítica, recorte institucional e região vivida, reconstrói-se a evolução das divisões regionais do IBGE para o Paraná entre 1942 e 2017 (Zonas Fisiográficas, Mesorregiões e Microrregiões Homogêneas e Geográficas, Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias), articulando-as à regionalização estadual definida pela Lei n.º 15.825/2008. Metodologicamente, combinam-se análise documental e cartográfica comparativa com levantamento de usos midiáticos e institucionais da expressão “Centro-Sul do Paraná” nos dez municípios consorciados. Os resultados mostram que, em todas as malhas regionais examinadas, o território da AMCESPAR é inscrito em diferentes unidades oficiais, mas nunca como uma região coesa denominada “Centro-Sul do Paraná”, configurando um artefato político-identitário transversal às regionalizações federais e estaduais. O artigo explicita o equívoco de localização regional associado ao uso acrítico da expressão, ao mesmo tempo em que reconhece a legitimidade da região vivida, e propõe orientações para a apresentação rigorosa da localização regional dos municípios da AMCESPAR em trabalhos acadêmicos, relatórios técnicos e documentos institucionais.
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