AMEFRICANIDADE NA FRONTEIRA BRASIL-BOLÍVIA: UM OLHAR PARA O FENÔMENO NAS CIDADES GÊMEAS DE GUAJARÁ-MIRIM (BR) E GUAYARAMERÍN (BO)
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-157Palavras-chave:
Fronteira, Cultura, TerritórioResumo
Este artigo tem como objetivo geral refletir sobre aspectos da experiência compartilhada de luta, ancestralidade e produção cultural que conecta o Brasil e a Bolívia na fronteira representada pelas cidades gêmeas de Guajará-Mirim/BR e Guayaramerín/BO. Como objetivos específicos, busca-se: 1) Refletir sobre as relações interculturais estabelecidas na fronteira Brasil-Bolívia, no Estado de Rondônia; 2) Sumarizar as principais expressões culturais de perfil musical expressos na referida localidade e 3) Problematizar o perfil da identidade expressa no referido território. Para tanto procede-se a a pesquisa bibliográfico-documental e de campo Como resultados, pode-se afirmar que Brasil e Bolívia além de compartilharem de um mesmo continente e de um território fronteiriço de mais de três mil quilômetros de extensão, compartilham de um passado colonial marcado por experiências históricas similares, que explicam, em grande medida os desafios de cidadania que enfrentam no presente, dentre os quais o da superação do racismo e da positivação dos direitos à igualdade e à diferença, direitos esses que tradicionalmente foram negados às populações afrodiaspóricas (e a seus descendentes): africanos e indígenas. Considera-se que a progressiva afirmação de uma identidade amefricana no território analisado assinala um novo momento de valorização da presença e da cultura africana/afrodescendente e indígenas nos dois países e fortalece a luta por direitos, além de manter vivas importantes expressões culturais de matriz africana, como o samba e a saya boliviana.
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