EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS E ABORDAGENS PARA UMA CONSCIÊNCIA CRÍTICA

Autores

  • Vanusa Mariano Santiago Schiavinato
  • Sandro Benedito Sguarezi
  • Carlos Alberto Cioce Sampaio

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-001

Palavras-chave:

Educação Ambiental, Educação Ambiental Crítica, Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, Consórcios de Resíduos Sólido, Coleta Seletiva

Resumo

A crescente complexidade das questões socioambientais, marcada pelo aumento da geração de resíduos sólidos e pela intensificação das desigualdades ambientais, tem ampliado o papel da Educação Ambiental (EA) e, especialmente, da Educação Ambiental Crítica (EAC) no debate científico contemporâneo. Nesse contexto, compreender como a literatura aborda a relação entre processos educativos e gestão integrada de resíduos, torna-se necessário para subsidiar políticas públicas e práticas pedagógicas transformadoras. Assim, este estudo teve como objetivo analisar o estado da arte dos conceitos de EAC, valendo-se também de sua práxis no que concerne a consórcios de resíduos sólidos, coleta seletiva e Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS). A pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica e bibliométrica, realizada nas bases Web of Science, Scopus, SciELO e BDTD, totalizando 2.512 publicações. Foram utilizadas palavras-chave específicas, permitindo a seleção, categorização e análise das obras, complementadas pela análise textual discursiva para identificação de tendências e lacunas na produção científica. Os resultados apontam crescimento contínuo da produção acadêmica nas cinco temáticas, com destaque para o fortalecimento da EAC e para o avanço dos debates sobre coleta seletiva, economia circular e inclusão socioprodutiva de catadores. Observou-se, porém, que os estudos sobre consórcios e PGIRS permanecem centrados em aspectos técnicos, apresentando pouca articulação com abordagens educativas críticas. Essa fragmentação limita o potencial transformador das políticas ambientais e reduz a participação social nas decisões sobre resíduos. A análise do estado da arte evidencia a consolidação e o amadurecimento da Educação Ambiental Crítica entre 2014 e 2025, especialmente no contexto brasileiro, com avanço qualitativo das discussões. Em contraste com a Educação Ambiental tradicional, ainda marcada por abordagens instrumentais, a EAC apresenta maior densidade teórico-política e articulação com justiça socioambiental e participação social. No campo da gestão de resíduos sólidos, embora haja avanços em consórcios, coleta seletiva e PGIRS, persistem fragmentações e enfoques excessivamente técnicos. A práxis demonstra que a efetividade dessas políticas depende da integração entre planejamento e processos educativos críticos. Assim, integrar organicamente a EAC à gestão pública de resíduos configura-se como desafio estratégico e condição para políticas mais democráticas, eficazes e socialmente enraizadas.

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Publicado

2026-02-05

Como Citar

Schiavinato, V. M. S., Sguarezi, S. B., & Sampaio, C. A. C. (2026). EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS E ABORDAGENS PARA UMA CONSCIÊNCIA CRÍTICA. Revista De Geopolítica, 17(2), e1458. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-001