TRABALHO, SUBJETIVIDADE E SAÚDE MENTAL: UMA LEITURA CRÍTICA DA RACIONALIDADE NEOLIBERAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-011Palavras-chave:
Saúde Mental, Neoliberalismo, Subjetividade, Trabalho, Sofrimento PsíquicoResumo
Este artigo analisa os impactos do neoliberalismo na constituição da subjetividade do trabalhador contemporâneo, articulando contribuições da Psicologia Social do Trabalho, da Psicanálise e da Teoria Crítica. Parte-se da compreensão do neoliberalismo não apenas como um modelo econômico, mas como uma racionalidade normativa que organiza modos de vida, regimes de verdade e formas específicas de gestão do sofrimento psíquico. A partir de uma pesquisa teórico-bibliográfica sistemática, realizada com produções nacionais e internacionais publicadas nos últimos dez anos (2015–2025), em bases reconhecidas de pesquisa científica, discute-se como a lógica da performance, do empreendedorismo de si e da individualização da responsabilidade pelo sucesso e pelo fracasso contribuem para o aumento de quadros de sofrimento mental relacionados ao trabalho, tais como burnout, depressão, ansiedade crônica e comportamentos autolesivos. Os resultados indicam que o sofrimento psíquico tem sido majoritariamente tratado de forma individualizante e adaptativa, por meio de discursos psicologizantes e medicalizantes, que ocultam suas determinações sociais, políticas e ideológicas. Argumenta-se que tal processo cumpre uma função ideológica ao despolitizar o adoecimento e reforçar a normatividade neoliberal. Conclui-se que a compreensão do sofrimento mental exige sua reinscrição no campo social e coletivo, demandando práticas de cuidado que rompam com a lógica da culpabilização do sujeito e da adaptação ao sofrimento.
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