TRABALHO, SUBJETIVIDADE E SAÚDE MENTAL: UMA LEITURA CRÍTICA DA RACIONALIDADE NEOLIBERAL

Autores

  • Francisco José de Oliveira Neto

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-011

Palavras-chave:

Saúde Mental, Neoliberalismo, Subjetividade, Trabalho, Sofrimento Psíquico

Resumo

Este artigo analisa os impactos do neoliberalismo na constituição da subjetividade do trabalhador contemporâneo, articulando contribuições da Psicologia Social do Trabalho, da Psicanálise e da Teoria Crítica. Parte-se da compreensão do neoliberalismo não apenas como um modelo econômico, mas como uma racionalidade normativa que organiza modos de vida, regimes de verdade e formas específicas de gestão do sofrimento psíquico. A partir de uma pesquisa teórico-bibliográfica sistemática, realizada com produções nacionais e internacionais publicadas nos últimos dez anos (2015–2025), em bases reconhecidas de pesquisa científica, discute-se como a lógica da performance, do empreendedorismo de si e da individualização da responsabilidade pelo sucesso e pelo fracasso contribuem para o aumento de quadros de sofrimento mental relacionados ao trabalho, tais como burnout, depressão, ansiedade crônica e comportamentos autolesivos. Os resultados indicam que o sofrimento psíquico tem sido majoritariamente tratado de forma individualizante e adaptativa, por meio de discursos psicologizantes e medicalizantes, que ocultam suas determinações sociais, políticas e ideológicas. Argumenta-se que tal processo cumpre uma função ideológica ao despolitizar o adoecimento e reforçar a normatividade neoliberal. Conclui-se que a compreensão do sofrimento mental exige sua reinscrição no campo social e coletivo, demandando práticas de cuidado que rompam com a lógica da culpabilização do sujeito e da adaptação ao sofrimento.

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Publicado

2026-02-05

Como Citar

de Oliveira Neto, F. J. (2026). TRABALHO, SUBJETIVIDADE E SAÚDE MENTAL: UMA LEITURA CRÍTICA DA RACIONALIDADE NEOLIBERAL. Revista De Geopolítica, 17(2), e1468. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-011