GESTÃO EFICIENTE DE ESTOQUES HOSPITALARES NO SUS: INTERVENÇÕES E ESTRATÉGIAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-066Palavras-chave:
Gestão Hospitalar, Administração de Materiais no Hospital, Logística, Eficiência Organizacional, Sistema Único de SaúdeResumo
A gestão eficiente de estoques hospitalares é essencial para a sustentabilidade financeira e a continuidade assistencial em sistemas públicos de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), falhas logísticas contribuem para desperdícios, rupturas de abastecimento e aumento de custos, impactando a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. Esta revisão teve como objetivo analisar criticamente evidências sobre intervenções de gestão de estoques capazes de reduzir desperdícios e garantir abastecimento contínuo em hospitais públicos. Realizou-se revisão qualitativa com síntese interpretativa, conduzida segundo as diretrizes PRISMA 2020 e alinhada ao guia SQUIRE 2.0. A pergunta de pesquisa foi estruturada pelo modelo PICO, considerando hospitais públicos como população, intervenções estruturadas de gestão de estoques como exposição, modelos convencionais como comparação e redução de desperdícios como desfecho. A busca foi realizada em PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde e Portal CAPES, no período de 2015 a 2025. Nove estudos foram incluídos. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala Newcastle–Ottawa e pelo checklist SQUIRE 2.0. Os resultados demonstram que a integração de classificações multicritério de estoque (ABC, VED/VEN, XYZ), práticas Lean Healthcare (Kanban e 5S) e gestão por indicadores esteve associada à redução de desperdícios, menor volume de compras emergenciais, maior previsibilidade logística e racionalização de custos. Nenhum estudo relatou efeitos adversos das intervenções. Apesar da heterogeneidade metodológica e predominância de delineamentos observacionais, os achados convergem para a superioridade de abordagens integradas. Conclui-se que a articulação entre planejamento, monitoramento e cultura organizacional fortalece a governança hospitalar e contribui para a sustentabilidade do SUS. São necessárias pesquisas futuras com delineamentos quase-experimentais e avaliação econômica robusta.
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Referências
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