ENTRE O RIO E A USINA: CONFLITOS E CONCEPÇÕES DIVERGENTES SOBRE BELO MONTE
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-084Palavras-chave:
Energias Renováveis, Transição Energética, Comunidades Tradicionais, Neocolonialismo EnergéticoResumo
Em um contexto atual de crescente discussão sobre sustentabilidade, energia e justiça climática, este artigo examina as visões divergentes sobre a implementação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As perspectivas de povos indígenas e ribeirinhos, cujos territórios tradicionais estão próximos ao rio Xingu, são confrontadas com as abordagens técnicas do Governo Federal, que promove a expansão do sistema elétrico nacional, frequentemente ignorando os impactos socioambientais. A usina exemplifica um modelo hegemônico de desenvolvimento que privilegia uma minoria urbana em detrimento da sobrevivência das populações tradicionais. Ao discutir os diferenciais técnicos da hidroeletricidade frente a outras fontes energéticas, a análise revela Belo Monte como uma expressão de neocolonialismo energético, evidenciando o comprometimento da justiça climática e da credibilidade da transição energética brasileira. A pesquisa adota uma abordagem metodológica que combina análise histórica, energética e política, permitindo uma compreensão integrada do contexto do projeto. Essa metodologia destaca a importância do Encontro de Altamira de 1989 e apresenta as narrativas do governo federal, do povo Assurini e das comunidades ribeirinhas, abordando suas diferentes visões sobre a usina. Ao explorar o dilema das hidrelétricas em comparação com outras fontes energéticas, o artigo promove um diálogo crítico sobre os impactos e implicações da UHE Belo Monte, garantindo que a relevância do tema se mantenha nas discussões contemporâneas.
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