DIAGNÓSTICO DA MIOCARDIOPATIA DE TAKOTSUBO (SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO): CRITÉRIOS E DIFERENCIAÇÃO DO INFARTO AGUDO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-122Palavras-chave:
Miocardiopatia de Takotsubo (MTT), Síndrome do Coração Partido, Critérios Diagnósticos, Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), Síndrome Coronariana Aguda (SCA), Disfunção Ventricular Transitória, Catecolaminas, Ressonância Magnética Cardíaca (RMC)Resumo
A Miocardiopatia de Takotsubo (MTT) é uma causa relevante de insuficiência cardíaca aguda reversível que mimetiza a apresentação clínica da síndrome coronariana aguda, impondo importantes desafios diagnósticos e terapêuticos. Esta revisão narrativa sintetiza evidências recentes sobre critérios diagnósticos, diferenciação com o infarto agudo do miocárdio e estratégias de manejo, destacando a necessidade de abordagem multimodal com integração de clínica, biomarcadores e métodos de imagem. Estima-se que a MTT represente cerca de 1–2% dos casos admitidos com suspeita de síndrome coronariana aguda, com predomínio em mulheres pós-menopáusicas e associação frequente a gatilhos de estresse físico ou emocional. A fisiopatologia envolve descarga catecolaminérgica, disfunção microvascular e toxicidade miocárdica, resultando em padrões morfológicos distintos de disfunção ventricular (apical, basal, médio-ventricular ou focal) que não respeitam um único território coronariano. O trabalho enfatiza o papel central da cineangiocoronariografia para exclusão de oclusão coronariana aguda e da ressonância magnética cardíaca para caracterização tecidual, sobretudo pela ausência típica de realce tardio isquêmico, corroborando a natureza transitória da lesão. Embora historicamente considerada benigna, a fase aguda pode cursar com complicações graves, incluindo choque cardiogênico, obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo e arritmias, exigindo manejo de suporte individualizado e cautela no uso de inotrópicos. Conclui-se que a distinção precisa entre MTT e infarto é determinante para evitar intervenções desnecessárias, otimizar a estratificação de risco e orientar a terapêutica, com seguimento ambulatorial voltado à recuperação funcional e prevenção de recorrências.
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