LITERATURA DE TESTEMUNHO A CONTRAPELO DA HISTÓRIA: MEMÓRIA CAMPESINA EM VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS

Autores

  • José Luís de Barros Guimarães
  • Henrique de Sousa Mangueira

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-131

Palavras-chave:

Walter Benjamin, Literatura de Testemunho, Memória, Representação Literária do Campesinato, Vidas Secas

Resumo

Este trabalho buscou analisar a representação do campesinato na obra Vidas Secas, examinando de que modo os relatos e as memórias das personagens configuram uma narrativa que tensiona a historiografia burguesa e progressista. Parte-se da compreensão de que a história oficial se constitui por meio de narrativas hegemônicas que relegam determinados grupos ao esquecimento ou à marginalização, produzindo representações distorcidas e estereotipadas no imaginário social, difundidas pelos meios de comunicação, pelos livros didáticos e pela tradição literária dominante. Em contraposição a essa lógica, a Literatura de Testemunho afirma-se como prática estética comprometida com a inscrição das vozes subalternizadas na memória histórica. A fundamentação teórica articula filosofia e literatura de testemunho a partir das reflexões de Walter Benjamin (1892–1940), tomando como referência central o texto Sobre o conceito de história, além de estudos dedicados ao tema. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, orientada pelo método hermenêutico. Sustenta-se que Vidas Secas apresenta traços da Literatura de Testemunho ao elaborar uma representação social do campesinato que reinscreve a experiência dos vencidos no campo da memória e desloca a linearidade da narrativa histórica dominante.

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Publicado

2026-02-24

Como Citar

Guimarães, J. L. de B., & Mangueira, H. de S. (2026). LITERATURA DE TESTEMUNHO A CONTRAPELO DA HISTÓRIA: MEMÓRIA CAMPESINA EM VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS. Revista De Geopolítica, 17(2), e1662. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-131