O USO DO ESTIMULADOR CEREBRAL PROFUNDO (DBS) NA DOENÇA DE PARKINSON: NÚCLEO SUBTALÂMICO (STN) VS GLOBUS PALLIDUS INTERNUS (GPi)
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-134Palavras-chave:
Doença de Parkinson, Estimulador Cerebral Profundo, Cérebro, Núcleo Subatômico, Globo Pálido Interno, Tratamento CirúrgicoResumo
Objetivo: Este estudo propõe uma análise do uso da estimulação cerebral profunda (ECP) como tratamento cirúrgico da doença de Parkinson. As vantagens e desvantagens desse método terapêutico são discutidas de forma comparativa em duas localizações específicas do cérebro: o núcleo subtalâmico (NST) e o globo pálido interno (GPi). Também são explorados os avanços e variações recentes que permeiam as intervenções cirúrgicas no contexto do parkinsonismo. Resultados: A ECP no núcleo subtalâmico (NST) é o procedimento mais escolhido para a DP, melhorando as discinesias em 50 a 80%, bem como os sintomas cardinais e as flutuações motoras, com duração mínima de cinco anos e redução da necessidade de medicação em 40 a 50%. Essa regulação neurofisiológica resulta em melhorias notáveis nos sintomas da DP, como tremor, rigidez e bradicinesia, além de melhorias na funcionalidade, qualidade de vida e durabilidade média de 11 anos. A Estimulação Cerebral Profunda (ECP) do Globo Pálido Interno (GPi) foi desenvolvida em 1994 e atualmente demonstra uma melhora de 37 a 39% na condição clínica do paciente. Acredita-se que a estimulação do GPi resulte em melhora significativa dos sintomas motores, como tremor, rigidez e bradicinesia. Além disso, há uma incidência relativamente menor de melhora nos distúrbios cognitivos associados a essa região cerebral em comparação com outras opções de alvos de ECP na Doença de Parkinson. Conclusão: Em geral, a ECP do NST e a ECP do GPi são semelhantes; ambas são eficazes quando os efeitos da levodopa estão ativos ("on") e na melhora da qualidade de vida. A ECP do NST é mais eficaz na melhora da função motora com a levodopa inativa ("off"), na redução da medicação, na diminuição dos tremores e na melhora da qualidade do sono. Por outro lado, a ECP do GPi apresenta menos efeitos adversos cognitivos.
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