PLURALISMO LINGUÍSTICO, SABERES ANCESTRAIS E SUSTENTABILIDADE CULTURAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-156Palavras-chave:
Educação Indígena, Pluralismo Linguístico, Saberes Ancestrais, Sustentabilidade Cultural, Políticas EducacionaisResumo
Este artigo analisa os desafios e perspectivas para a promoção do pluralismo linguístico, dos saberes ancestrais e da sustentabilidade cultural na educação escolar indígena no Brasil. A partir de revisão bibliográfica e análise de políticas públicas, discute as barreiras históricas enfrentadas pelas línguas indígenas e pelos conhecimentos tradicionais nas instituições de ensino, evidenciando os processos de exclusão informacional e apagamento cultural. O estudo destaca marcos legais, como a Constituição Federal de 1988 e a Lei 11.645/08, que introduziram a discussão sobre direitos linguísticos e pluralidade cultural na escola. São analisadas experiências inovadoras em escolas indígenas e projetos que valorizam o uso das línguas originárias como estratégia de afirmação identitária, resistência e promoção de justiça social. Os resultados apontam para a necessidade de fortalecimento de políticas educacionais voltadas à formação de professores indígenas, elaboração de materiais didáticos bilíngues e apoio institucional à preservação dos patrimônios linguísticos. Conclui-se que a valorização do pluralismo linguístico e dos saberes ancestrais é fundamental para a construção de uma educação inclusiva, promotora da cidadania e da sustentabilidade cultural em tempos de múltiplas crises socioambientais.
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