ANSIEDADE ALGORÍTMICA E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE NA SOCIEDADE DIGITAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-106Palavras-chave:
Ansiedade, Algoritmos, Subjetividade, Psicologia Social, Sociedade DigitalResumo
A ansiedade tem se consolidado como uma das experiências psíquicas mais recorrentes na contemporaneidade, frequentemente tratada de forma individualizante no campo clínico. Paralelamente, observa-se a intensificação da mediação algorítmica da vida cotidiana, especialmente por meio de plataformas digitais que organizam fluxos de informação, visibilidade e interação social. Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre ansiedade e mediação algorítmica, propondo o conceito de ansiedade algorítmica como categoria analítica para compreender os efeitos psicossociais da sociedade digital sobre a produção de subjetividade. Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, de abordagem qualitativa, fundamentado em revisão crítica da literatura da Psicologia Social, da Psicologia da Contemporaneidade e de autores críticos da tecnologia. Argumenta-se que os algoritmos operam como dispositivos sociotécnicos que intensificam a aceleração social, a comparação permanente e a antecipação contínua, criando condições estruturais favoráveis à emergência da ansiedade como disposição afetiva difusa. Conclui-se que a ansiedade algorítmica constitui um fenômeno psicossocial central para a compreensão da saúde mental coletiva na sociedade digital, demandando abordagens críticas que superem a patologização individual e incorporem a análise das condições tecnológicas de produção do sofrimento psíquico.
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