COMUNIDADES MICROBIANAS SINTÉTICAS COMO FERRAMENTAS PARA A AGRICULTURA SUSTENTÁVEL NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-125Palavras-chave:
Comunidades Microbianas Sintéticas, Agricultura Sustentável, Microbiota do Solo, Bioinsumos, BrasilResumo
Considerando os desafios enfrentados pela agricultura brasileira relacionados à sustentabilidade ambiental e à dependência de insumos químicos, este trabalho teve como objetivo avaliar o estado da arte sobre o uso de comunidades microbianas sintéticas (Synthetic Microbial Communities – SynComs) como ferramentas para a agricultura sustentável no Brasil. Para tanto, realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa, de natureza qualitativa e descritiva, a partir de publicações científicas nacionais e internacionais disponíveis nas bases Google Acadêmico, SciELO, Periódicos CAPES e ScienceDirect, abrangendo o período de 2015 a 2025. Os resultados evidenciam que as SynComs apresentam impactos agronômicos positivos, como a promoção do crescimento vegetal, maior eficiência na absorção de nutrientes e supressão de fitopatógenos, além de benefícios ambientais associados à melhoria da saúde do solo e à redução do uso de agroquímicos. Observou-se ainda que essa tecnologia está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e às políticas públicas brasileiras voltadas ao uso de bioinsumos. Conclui-se que as comunidades microbianas sintéticas se configuram como uma alternativa promissora para o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e sustentáveis, embora ainda demandem estudos de validação em condições de campo e em diferentes contextos edafoclimáticos.
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