INVULNERABILIDADE SOCIAL E O AUMENTO DE CRIANÇAS NEURODIVERGENTES: CONEXÕES BIOQUÍMICAS E FATORES GESTACIONAIS

Autores

  • Airton Bezerra de Almeida
  • Andressa Siqueira Silva Magalhães
  • José Claudio Bezerra Júnior
  • Maria Tereza Estevam Vaz
  • Marília Alves dos Santos Pereira
  • Thalyta Yngrid Siqueira Ribeiro
  • Thiago Kleyton Silva Calado

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov16n4-021

Palavras-chave:

Neurodesenvolvimento, Invulnerabilidade Social, Autismo, Gestação, Inflamação, Poluição, Ácido Fólico, Vitamina D

Resumo

Introdução: Nos últimos anos, observou-se crescimento nas notificações e diagnósticos de condições do neurodesenvolvimento na infância, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora a maior parte do risco seja genética, evidências recentes indicam que determinantes sociais, exposições ambientais e estados inflamatórios na gestação interagem com vias bioquímicas sensíveis do cérebro fetal. Objetivo: Discutir, em perspectiva integrada, como contextos de invulnerabilidade social, entendida aqui como ausência/fragilidade de proteções e políticas sociais, podem amplificar riscos ambientais e biológicos associados ao aumento de crianças neurodivergentes, com foco em mecanismos bioquímicos e fatores gestacionais. Método: Revisão narrativa com busca direcionada (2020–2025) em bases internacionais e nacionais sobre (i) tendências de prevalência, (ii) estresse materno, inflamação e ativação imune, (iii) nutrição e micronutrientes (ácido fólico, vitamina D (CHIEN et al., 2024; WANG et al., 2020; TIRANI et al., 2023)), (iv) poluição atmosférica e desreguladores endócrinos, (v) condições metabólicas gestacionais (obesidade, diabetes), e (vi) desigualdades socioeconômicas no Brasil. Resultados e discussão: Estudos recentes reforçam que a inflamação materna e a ativação imune (MIA) modulam microglia e citocinas (IL-6, IL-1β, TNF-α), afetando conectividade e organização sináptica fetal; que deficiências de ácido fólico e vitamina D (CHIEN et al., 2024; WANG et al., 2020; TIRANI et al., 2023), bem como exposição a poluentes (PM2.5, NOx) e diabetes/obesidade gestacionais, se associam a maior probabilidade de desfechos do neurodesenvolvimento; e que a desproteção social intensifica a exposição a esses riscos e reduz o acesso a cuidados e estimulação precoce. Conclusão: A mitigação de riscos exige políticas intersetoriais de proteção social, atenção pré-natal qualificada e intervenções ambientais e nutricionais, com vigilância de iniquidades.

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Publicado

2025-08-29

Como Citar

de Almeida, A. B., Magalhães, A. S. S., Bezerra Júnior, J. C., Vaz, M. T. E., Pereira, M. A. dos S., Ribeiro, T. Y. S., & Calado, T. K. S. (2025). INVULNERABILIDADE SOCIAL E O AUMENTO DE CRIANÇAS NEURODIVERGENTES: CONEXÕES BIOQUÍMICAS E FATORES GESTACIONAIS. Revista De Geopolítica, 16(4), e661. https://doi.org/10.56238/revgeov16n4-021