GEOMETRIAS DE UM SONHO MODERNO DESMANCHADO DO AR ?: A FOTOGRAFIA AÉREA COMO IMAGEM DE PROJETO EM AIRCRAFT E BRASÍLIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-013Palavras-chave:
Aircraft, Brasília, Fotografia Estereoscópica, Ensaio Fotográfico, Imagens de Sonho, Programação do Olhar FotográficoResumo
A fotografia aérea, surgida no século XIX, permanece plenamente atual. Desde seus primórdios — com o acoplamento de aparelhos fotográficos a balões, pipas, pombos-correios e, posteriormente, aviões, satélites e drones —, ela deu origem aos primeiros cartões-postais urbanos, às estratégias iniciais de mapeamento territorial com fins militares, ao planejamento de cidades, à exploração do meio ambiente e, mais recentemente, ao entretenimento proporcionado pela circulação de imagens aéreas em telas de celulares e computadores. As múltiplas finalidades da imagem aérea colocam em evidência um ponto de inflexão conceitual e teórico da fotografia: sua capacidade de atestar o passado e, simultaneamente, de projetar o futuro. À medida que a fotografia passa a integrar projetos nas esferas pessoal e coletiva, a cultura fotográfica produz narrativas programadas para atender a diferentes objetivos. O objetivo deste artigo é compreender a fotografia aérea, de um lado, como instrumento de verificação da realidade de algo que existiu e, de outro, como ato de projeto — uma peça fundamental na programação de realidades possíveis e na conformação do futuro. Exemplificam essa abordagem as obras Aircraft, de Le Corbusier (1935), o Relatório Técnico sobre a Nova Capital da República (Brasília), elaborado pela empresa norte-americana Donald and Belcher (publicado em 1957), e o Plano Piloto de Brasília, de Lúcio Costa (1956). Por fim, o artigo reflete sobre a fotografia como imagem de sonho e como mecanismo de dominação das coletividades, tal como intuído por Walter Benjamin, cuja eficácia simbólica e política ainda se faz presente na contemporaneidade.
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