OS CONSELHOS DE ROUSSEAU NA BAHIA: AS CARTAS DE LINO COUTINHO PARA CORA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-034Palavras-chave:
Educação Feminina, Rousseau, Bahia, Século XIX, GêneroResumo
O artigo analisa de que modo os argumentos rousseaunianos acerca da educação de homens e mulheres chegaram à Bahia e contribuíram para a formulação de propostas de educação feminina no Brasil, especialmente no século XIX. Destaca-se a relevância da Escola Normal da Bahia, fundada em 1842, pioneira na formação de professoras no país. A pesquisa investiga a circulação da obra Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, e sua influência sobre intelectuais baianos, com ênfase nas Cartas sobre a educação de Cora (1849), de José Lino Coutinho, médico, político e educador. Influenciado pelo Iluminismo, Coutinho defendeu a instrução feminina e participou de projetos legislativos voltados à educação das mulheres, incluindo propostas para criação de escolas e formação básica em conventos. Suas cartas, dirigidas à preceptora de sua filha durante viagem à Europa, apresentam um modelo educativo inspirado em Rousseau, fundamentado na diferenciação sexual da educação. Às meninas destinava-se formação moral, religiosa e doméstica, com ensino de trabalhos de agulha, desenho, música e virtudes familiares, orientado para o casamento e a maternidade. O estudo evidencia que, embora avançada para o contexto brasileiro, tal proposta mantinha bases patriarcais, reforçando a submissão feminina e a separação entre esferas pública e privada. Conclui-se que as ideias de Coutinho foram decisivas para o debate e a institucionalização da educação feminina na Bahia, revelando tensões entre modernização educacional e permanência das desigualdades de gênero.
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