ALÉM DO ALERTA DE TARJA PRETA: O RISCO DE IDEAÇÃO SUICIDA POR ISRS E OS PERIGOS DA POLIFARMÁCIA COGNITIVA NA INFÂNCIA

Autores

  • Augusto Cesar Malta Laudares Moreira
  • Stephânia de Oliveira Laudares Moreira
  • Marcelo Ferreira Caixeta
  • Humberto César Machado
  • José Luiz de Moura Neto
  • Pedro Henrique Rodrigues Cardoso
  • Henrique Pacheco Machado
  • Gabriel Pacheco Machado
  • Júlio Roquete Cardoso
  • Paulo Cesar Moreira

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-105

Palavras-chave:

Psicofarmacologia, Pediatria, Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina, Psicoestimulantes, Nootrópicos, Ideação Suicida, Medicalização

Resumo

Introdução: A psiquiatria da infância e adolescência enfrenta uma crise epidemiológica sem precedentes no período pós-pandemia, caracterizada por um aumento substancial nos diagnósticos de transtornos internalizantes (depressão e ansiedade) e queixas de déficit cognitivo. Objetivo: Sintetizar e analisar criticamente as evidências atuais sobre a eficácia e a segurança do uso de Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), com ênfase no risco de ideação suicida, bem como investigar o fenômeno do uso excessivo de psicoestimulantes e nootrópicos em esquemas de polifarmácia. Método: Revisão integrativa da literatura balizada pela Medicina Baseada em Evidências, abrangendo ensaios clínicos randomizados, metanálises e diretrizes publicadas na última década nas bases PubMed, PsycINFO e SciELO. Resultados: Os ISRS (notadamente fluoxetina e sertralina) demonstram eficácia superior ao placebo, mas exigem vigilância estrita devido ao black box warning da FDA para ideação suicida inicial. Simultaneamente, observa-se uma prescrição crescente e muitas vezes irracional de psicoestimulantes e nootrópicos para otimização de performance acadêmica, carecendo de evidências robustas para este fim. Discussão: O metabolismo infantil altera a farmacocinética dessas substâncias, exigindo ajustes posológicos precisos. A polifarmácia entre ISRS e estimulantes eleva riscos cardiovasculares e psiquiátricos. No âmbito ético, discute-se a patologização do sofrimento psicossocial pós-pandêmico e a urgência de preservar o assentimento do menor. Conclusão: É imperativo priorizar psicoterapias baseadas em evidências como primeira linha, instituir protocolos de monitoramento rigoroso nas primeiras semanas de uso de ISRS e restringir o uso de estimulantes a diagnósticos clínicos validados de TDAH.

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Publicado

2026-05-23

Como Citar

Moreira, A. C. M. L., Moreira, S. de O. L., Caixeta, M. F., Machado, H. C., de Moura Neto, J. L., Cardoso, P. H. R., Machado, H. P., Machado, G. P., Cardoso, J. R., & Moreira, P. C. (2026). ALÉM DO ALERTA DE TARJA PRETA: O RISCO DE IDEAÇÃO SUICIDA POR ISRS E OS PERIGOS DA POLIFARMÁCIA COGNITIVA NA INFÂNCIA. Revista De Geopolítica, 17(5), e2466. https://doi.org/10.56238/revgeov17n5-105