A TRAJETÓRIA DO NEGRO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: UM BREVE HISTÓRICO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-149Palavras-chave:
Racismo, Educação, Colonialidade, Relações Étnico-Raciais, Políticas AfirmativasResumo
Este artigo tem como objetivo analisar, sob a ótica histórica e teórica, a trajetória da população negra na educação brasileira, desde o período da escravidão, evidenciando as lutas por acesso, permanência e igualdade no sistema educacional. O estudo constitui-se como um recorte do referencial teórico de uma dissertação de mestrado em Educação e fundamenta-se em pesquisa de natureza qualitativa, de cunho teórico e bibliográfico. A análise da literatura evidenciou que, desde o período colonial, a educação foi atravessada por relações de poder ancoradas na ideia de raça como princípio estruturante da sociedade, operando a marginalização e a desvalorização dos saberes e das culturas africanas e afro-brasileiras. Mesmo após a abolição da escravidão, tais desigualdades foram ressignificadas e mantidas por meio de currículos eurocêntricos, práticas institucionais excludentes e pela permanência da colonialidade do poder, do saber e do ser. Ao longo do século XX, a atuação dos movimentos negros, como a Frente Negra Brasileira, evidenciou a centralidade da educação como espaço de resistência e disputa política. No século XXI, a promulgação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 representou avanços importantes no enfrentamento ao racismo no campo educacional, entretanto, sua efetivação ainda enfrenta desafios relacionados à formação docente, à resistência institucional e à persistência do racismo estrutural. Conclui-se que a educação brasileira, embora historicamente marcada pela reprodução das desigualdades raciais, constitui-se também como espaço estratégico para a construção de práticas educativas antirracistas comprometidas com a justiça social e o reconhecimento da diversidade étnico-racial.
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