SAÚDE BUCAL COMO PREDITOR DE MORTALIDADE PREMATURA: EVIDÊNCIAS EMERGENTES E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-045Palavras-chave:
Saúde Bucal, Mortalidade Prematura, Doença Periodontal, Perda Dentária, Saúde Sistêmica, Inflamação, Epidemiologia, Indicadores de RiscoResumo
Objetivo: Explorar as evidências emergentes que relacionam as condições de saúde bucal com a mortalidade prematura e discutir as possíveis implicações clínicas para a odontologia e o manejo da saúde sistêmica.
Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura para sintetizar as evidências atuais sobre a relação entre o estado de saúde bucal e os desfechos de mortalidade. Estudos relevantes foram identificados por meio de buscas eletrônicas em bases de dados biomédicas importantes, incluindo PubMed, Scopus e Web of Science. Foram considerados estudos observacionais, revisões sistemáticas e metanálises que avaliaram associações entre doenças bucais, particularmente doença periodontal, perda dentária e condições inflamatórias orais, e mortalidade por todas as causas ou por causas específicas. Foram priorizados estudos publicados em inglês nas últimas duas décadas, a fim de refletir o entendimento científico contemporâneo.
Resultados: Evidências epidemiológicas acumuladas sugerem que a má saúde bucal pode estar associada a um aumento do risco de mortalidade prematura. Doença periodontal, perda dentária extensa e inflamação oral crônica têm sido associadas a condições sistêmicas como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e distúrbios respiratórios, que são importantes contribuintes para a mortalidade global. Os mecanismos biológicos propostos na literatura incluem a disseminação sistêmica de patógenos orais, inflamação crônica de baixo grau e desregulação imunológica. Diversos estudos de coorte longitudinais relatam que indivíduos com doença periodontal grave ou perda dentária significativa apresentam maior risco de mortalidade por todas as causas e por causas cardiovasculares em comparação com indivíduos com melhor estado de saúde bucal.
Conclusão: As evidências atuais sustentam o conceito de que a saúde bucal pode servir como um indicador relevante da saúde sistêmica e potencial preditor de mortalidade prematura. A integração da avaliação da saúde bucal em estratégias mais amplas de atenção à saúde pode contribuir para a identificação precoce de riscos sistêmicos e para a melhoria dos desfechos dos pacientes. São necessários mais estudos longitudinais e intervencionais bem delineados para esclarecer a causalidade e compreender melhor os mecanismos biológicos que ligam as doenças bucais à mortalidade.
Downloads
Referências
Kinane, D. F., Stathopoulou, P. G., & Papapanou, P. N. (2017). Periodontal diseases. Nature Reviews Disease Primers, 3, 17038. https://doi.org/10.1038/nrdp.2017.38
Peng, J., Song, J., Han, J., Chen, Z., Yin, X., Zhu, J., ... & Xu, H. (2022). Association between oral health and all-cause mortality: A systematic review and meta-analysis. Journal of Clinical Periodontology, 49(6), 621–635. https://doi.org/10.1111/jcpe.13634
Peres, M. A., Macpherson, L. M. D., Weyant, R. J., Daly, B., Venturelli, R., Mathur, M. R., ... & Watt, R. G. (2019). Oral diseases: A global public health challenge. The Lancet, 394(10194), 249–260. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31146-8
Sanz, M., Marco Del Castillo, A., Jepsen, S., Gonzalez-Juanatey, J. R., D’Aiuto, F., Bouchard, P., ... & Wimmer, G. (2020). Periodontitis and cardiovascular diseases: Consensus report. Journal of Clinical Periodontology, 47(3), 268–288. https://doi.org/10.1111/jcpe.13189
Watt, R. G., Daly, B., Allison, P., Macpherson, L. M. D., Venturelli, R., Listl, S., ... & Peres, M. A. (2019). Ending the neglect of global oral health: Time for radical action. The Lancet, 394(10194), 261–272. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31133-X