MY HERO ACADEMIA E A DEFESA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: A PRESERVAÇÃO DA ORDEM, DA LIBERDADE E DA PROPRIEDADE SOB UMA ÓTICA CONSERVADORA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n4-183Palavras-chave:
Conservadorismo, Ordem Pública, Direito Constitucional, My Hero Academia, Intervenção Estatal, Dialética JurídicaResumo
Este artigo científico propõe uma análise interdisciplinar, sob a égide da dialética jurídica e da filosofia política conservadora, da estrutura normativa e social da obra My Hero Academia. A investigação centra-se na premissa de que o surgimento das "individualidades" (Quirks) provocou uma crise ontológica no Estado de Direito, exigindo uma reconfiguração da intervenção estatal para salvaguardar a paz social. O objetivo central é investigar como a regulação das individualidades pela Comissão de Segurança Pública e as ações dos heróis licenciados convergem para proteger os pilares fundamentais estabelecidos no Artigo 5º da Constituição Federal de 1988: ordem pública, liberdade individual e propriedade privada. Metodologicamente, o estudo utiliza pesquisa bibliográfica e análise teórica de autores como Russell Kirk (2013), Edmund Burke (1982) e Max Weber (1991), cruzando-os com a análise das tensões entre liberdade e ordem na tradição conservadora proposta por Coutinho (2014). A discussão aborda a figura de All Might como uma "dominação carismática" necessária para a estabilidade sistêmica e a ideologia da "Linha Azul" como um mecanismo para legitimar a força institucional contra a subversão niilista. Examina também a fusão entre a ética shonen e o arquétipo do homem que se fez por si próprio, fundamentando uma visão meritocrática de liberdade subordinada ao dever e à responsabilidade pessoal. Por fim, o trabalho analisa como a vilania, ao desafiar a inviolabilidade da propriedade e do legado histórico, valida a necessidade de instituições tradicionais fortes. Conclui que a "Sociedade dos Heróis" opera como um modelo de governança conservadora onde a ordem é o pré-requisito indispensável para a existência da liberdade, consolidando a segurança jurídica como um escudo contra a anarquia.
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