COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À DRENAGEM TORÁCICA POR TRAUMA EM UM HOSPITAL REGIONAL DE BRASÍLIA

Autores

  • Caio Gracco Cavalcanti da Cunha Monte
  • Vinicius Silveira Amaral
  • João Cassiano Lopes da Cruz
  • Luiz Fernando Arantes de Souza

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-034

Palavras-chave:

Trauma Torácico, Drenagem Torácica, Complicações, Emergência, Perfil Epidemiológico

Resumo

Introdução: O trauma torácico permanece como importante causa de morbidade em serviços de urgência e emergência, sendo a drenagem torácica um procedimento fundamental no manejo de complicações como pneumotórax, hemotórax e hemopneumotórax. Apesar de amplamente utilizada, a técnica não é isenta de riscos, e a ocorrência de complicações pode variar conforme características clínicas, gravidade do trauma e tempo de permanência do dreno. Objetivo: Analisar o perfil clínico-epidemiológico e as complicações associadas à drenagem torácica em pacientes vítimas de trauma atendidos em um hospital público do Distrito Federal. Métodos: Estudo observacional, descritivo e analítico, retrospectivo, baseado na análise de 89 prontuários de pacientes submetidos à drenagem torácica por trauma entre março de 2023 e março de 2025. Foram avaliadas variáveis demográficas, características do trauma, aspectos procedimentais, tempo de permanência do dreno, complicações e desfechos clínicos. A normalidade das variáveis contínuas foi testada previamente, e a análise estatística foi realizada no STATA® 17.0, adotando-se p < 0,05. Resultados: Observou-se predomínio do sexo masculino (86,52%), com idade média de 44,85 ± 17,72 anos. O hemopneumotórax foi a principal indicação para drenagem (50,56%) e o hemitórax esquerdo foi o mais acometido (50,56%). Complicações associadas à drenagem ocorreram em 39,33% dos pacientes, com predomínio de complicações respiratórias e relacionadas ao dreno. O tempo médio de permanência do dreno foi maior entre pacientes com complicação geral (p = 0,0343) e com complicações relacionadas ao dreno (p = 0,0386). Desfechos graves ocorreram em 3,37% e foram associados a maior idade (p = 0,0424), ao tipo de trauma (p = 0,018) e à lateralidade da drenagem (p = 0,035). Não houve associação entre complicações e local de realização da drenagem, indicação do procedimento ou encaminhamento à cirurgia torácica (p > 0,05). Conclusão: A drenagem torácica no trauma mostrou-se essencial e eficaz, embora associada a taxas moderadas de complicações. Maior tempo de permanência do dreno e idade avançada associaram-se a piores desfechos. A padronização técnica, o treinamento contínuo e o monitoramento rigoroso podem contribuir para reduzir complicações e otimizar resultados clínicos.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

Monte, C. G. C. da C., Amaral, V. S., da Cruz, J. C. L., & de Souza, L. F. A. (2026). COMPLICAÇÕES RELACIONADAS À DRENAGEM TORÁCICA POR TRAUMA EM UM HOSPITAL REGIONAL DE BRASÍLIA. Revista De Geopolítica, 17(1), e1263 . https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-034