DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA COMO PRÁXIS FORMATIVA: RACIONALIDADES, TENSÕES E IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-156Palavras-chave:
Docência Universitária, Formação de Professores, Racionalidade PedagógicaResumo
Este artigo examina as racionalidades predominantes na docência universitária e seus impactos na formação inicial de professores, com ênfase nos cursos de licenciatura no Brasil. Argumenta-se que a concepção da docência como mera transmissão de conteúdos, sustentada por uma racionalidade técnico-instrumental, fragiliza a dimensão pedagógica e reflexiva indispensável à formação de educadores. O estudo, de caráter teórico-reflexivo, fundamenta-se em uma revisão narrativa crítica da literatura sobre docência no ensino superior, mobilizando o conceito de racionalidade em Habermas (1982, 1987) e contribuições de autores da pedagogia universitária. O objetivo central é discutir a tensão entre racionalidade técnico-instrumental e pedagógica, identificando suas manifestações na prática docente e suas implicações para a formação de licenciandos. Os resultados da análise indicam que a predominância do modelo técnico-instrumental perpetua práticas centradas na transmissão, comprometendo o desenvolvimento de competências pedagógicas nos futuros professores. Conclui-se que a superação dessa perspectiva requer a valorização institucional da dimensão pedagógica e o investimento em formação continuada dos docentes universitários, condição essencial para promover práticas mais reflexivas, intersubjetivas e comprometidas com a formação integral de educadores, fortalecendo, assim, a qualidade da educação básica.
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