DETERMINANTES ECONÔMICOS DAS EMISSÕES DE CO₂ AGRÍCOLAS NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-167Palavras-chave:
Emissões Agrícolas, Agricultura Brasileira, Regressão Linea, Economia AmbientalResumo
O presente estudo investiga os determinantes econômicos das emissões de dióxido de carbono (CO₂) no setor agropecuário brasileiro, compreendendo o período de 2000 a 2023. Diante da relevância do Brasil no comércio internacional de commodities e do desafio imposto pelas mudanças climáticas, a pesquisa objetivou analisar empiricamente como variáveis produtivas e tecnológicas moldam o perfil emissor do país. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem quantitativa e aplicada, utilizando dados secundários do World Development Indicators e do SEEG. A análise baseou-se em um modelo de Regressão Linear Múltipla (RLM) estimado por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) na forma funcional logarítmica, relacionando as emissões ao Valor Adicionado, ao emprego agrícola e à intensidade de fertilizantes. Os resultados econométricos revelaram um ajuste robusto (R2 ajustado superior a 95%), com os pressupostos de ausência de multicolinearidade e homocedasticidade validados pelos testes FIV e White, respetivamente. As elasticidades estimadas indicam que a expansão econômica do setor (Valor Adicionado) e o uso intensivo de fertilizantes exercem pressão positiva e significativa sobre as emissões de GEE. Em contrapartida, observou-se uma relação inversa entre emprego e emissões, evidenciando que a modernização agrícola, caracterizada pela substituição de trabalho humano por mecanização intensiva em combustíveis fósseis, agrava a pegada de carbono. Conclui-se que o modelo de desenvolvimento vigente no agronegócio brasileiro apresenta um trade-off estrutural entre crescimento produtivo e conservação ambiental. A dinâmica das emissões mostrou-se intrínseca à estrutura produtiva atual, dependente de insumos químicos. Dessa forma, sugere-se a urgência de políticas públicas, como o fortalecimento do Plano ABC+, que promovam a dissociação entre crescimento econômico e impacto ambiental, fomentando a inovação tecnológica, o uso de bioinsumos e a transição para uma agricultura de baixo carbono.
Downloads
Referências
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Estimativas anuais de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. 6. ed. Brasília: MCTI, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/estimativas-anuais-de-emissoes-gee/arquivos/6a-ed-estimativas-anuais.pdf. Acesso em: 20 nov. 2025.
ESTEVAM, C. G.; PAVÃO, E. M.; ASSAD, E. Quantificação das emissões de GEE no setor agropecuário: fatores de emissão, métricas e metodologias. São Paulo: Fundação Getulio Vargas, Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia, 2023.
GRAIN. Las Exxons de la agricultura. 2015. Disponível em: https://grain.org/article/entries/5276-las-exxons-de-la-agricultura. Acesso em: 15 nov. 2025.
GUILHOTO, J. J. M. Estrutura produtiva brasileira e emissão de CO2. [S. l.: s. n.], [s.d.]. Disponível em: ResearchGate. Acesso em: 20 nov. 2025.
GUJARATI, D. N. Econometria básica. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
HOFFMANN, R. Análise de regressão: uma introdução à econometria. 5. ed. Piracicaba: O Autor, 2016.
INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE - IPCC. Climate Change 2014: synthesis report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Geneva: IPCC, 2014.
MONTOYA, M. A. Consumo de energia, emissões de CO2 e a geração de renda e emprego no agronegócio brasileiro: uma análise insumo-produto. Revista de Economia e Sociologia Rural, [S. l.], v. 54, n. 4, p. 677-696, 2016.
SANTANA, A. C. de. Métodos quantitativos em economia: elementos e aplicações. Belém: UFRA, 2003.
SOARES, T. C.; LIMA, J. E. de. Uma análise entre a energia, renda e emissões de CO2: evidências para o Brasil, 1962-2007. Textos de Economia, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 11-35, 2013.