MOTIVAÇÃO PARA APRENDER E APRENDIZADO TARDIO DE LÍNGUAS: ESTUDO DE CASO COM FALANTES PLURILÍNGUES EM REGIÃO DE LÍNGUAS EM CONTATO

Autores

  • Jakeline Mendes

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-127

Palavras-chave:

Motivação Intrínseca, Motivação Extrínseca, Plurilinguismo, Aprendizado de Línguas

Resumo

Este estudo de caso teve sua base teórico-metodológica na Dialetologia Pluridimensional e na Ecolinguística, o que possibilitou uma abordagem interdisciplinar da investigação. A pesquisa esteve centrada em falantes plurilíngues e em seu ecossistema linguístico (caracterizado pelas línguas em contato no Sul do Brasil). Este artigo resulta de um recorte da pesquisa e objetiva dar ênfase à motivação para o aprendizado de novas línguas na vida adulta. Justifica-se esta discussão pela busca em contribuir com dados que subsidiem o ensino e a valorização das línguas, bem como o desenvolvimento de abordagens pedagógicas mais eficazes para a aprendizagem ao longo da vida, em consonância com a valorização do plurilinguismo. A Dialetologia Pluridimensional se ocupa da análise e descrição das variáveis linguísticas em diferentes segmentos sociais, considerando fatores como sexo, faixa etária, escolaridade e condicionamentos sociogeográficos. A metodologia apoia-se ainda na Ecolinguística, compreendida como um campo que investiga as relações entre linguagem, sujeitos e meio, a partir de uma perspectiva multidisciplinar e de um ecossistema analisado de forma multimetológica. Os informantes do estudo foram selecionados por serem adultos, por compartilharem a descendência de imigrantes europeus (italianos e alemães) e por apresentarem interesse no aprendizado de línguas adicionais na vida adulta. O instrumento que possibilitou a coleta dos dados, análise e discussão em torno da motivação para aprender observada nos informantes foi a escala de motivação para aprender de Marchiore e Alencar (2009). Os resultados obtidos possibilitam discutir os índices de motivação apresentados e suas possíveis relações com os contextos geográfico e profissional dos participantes. A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS - parecer consubstanciado 7.490.056) e contou com o fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ALTENHOFEN, Cléo V. O conceito de língua materna e suas implicações para o bilingüismo (em alemão e português). In: Martius-Staden-Jahrbuch, São Paulo, n. 49, p. 141-161, 2002.

ALTENHOFEN, C. V.; THUN, H. As migrações e os contatos linguísticos na geografia linguística do sul do Brasil: Bacia do Prata. In.: AGUILERA, V. DE A.; ROMANO, V. P. (Org.). A geolinguística no Brasil: caminhos percorridos, horizontes alcançados. Londrina: Eduel, 2016. p. 371-392.

ALTENHOFEN, Cléo V. Hunsrückisch in Rio Grande do Sul. Ein Beitrag zur Beschreibung einer deutschbrasilianischen Dialektvarietät im Kontakt mit dem Portugiesischen. Stuttgart: Steiner, 1996.

BERNIERI, S. R. Crenças e atitudes linguísticas em relação às línguas minoritárias: alemão em São Carlos/SC e italiano em Coronel Freitas/SC. Dissertação: Mestrado em Estudos Linguísticos. PPGEL-UFFS, 2018.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

CALVET, L. J. Sociolinguística: uma introdução crítica. São Paulo: Parábola, 2002. 176p.

COSTA, Raquel Lima Silva. Neurociência e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, v. 28, e280010, 2023.

COUNCIL OF EUROPE. From linguistic diversity to plurilingual education: Guide for the development of language education policies in Europe. Main Version, 2007. Language Policy Division Council of Europe, Strasbourg.

DOMBROSKI, Mauricio Sales de Almeida. Representações Sociais sobre as aulas de Química dos estudantes do Ensino Médio: um olhar para a (des)motivação. Trabalho de Conclusão de Curso. Instituto de Química. Brasília - DF, 2022.

GLYNN, S. M. et al. Science Motivation Questionnaire II: Validation with science majors and nonscience majors. Journal of Research in Science Teaching, v. 48, n. 10, p. 1159-1176, 270 2011.

GUIMARÃES, S. E. R. Motivação intrínseca, extrínseca e o uso de recompensas em sala de aula. In: BORUCHOVITCH, E.; BZUNECK, J. (Orgs.). Motivação do aluno: contribuições da Psicologia Contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. p. 37-57.

HORST, Cristiane. Quando o Heinrich casa com a Iracema, a Urmutter vira bisa: a dinâmica dos nomes próprios de pessoas e comuns de parentesco em uma comunidade de contato alemão-português do sul do Brasil. Kiel, Westensee-Verl. 2011.

HORST, C.; KRUG, M. J. Atlas das línguas em contato na fronteira. In: SNICHELOTTO, C. A. R.; LUZ, M. N. S. (Eds.). Estudos linguísticos da/na Fronteira Sul [online]. Chapecó: Editora UFFS, 2021.

HUERTAS, J. A. Motivación: querer aprender. Buenos Aires: Aique, 2001.

KATZ, Idit. In the eye of the beholder: motivational effects of gender differences in perceptions of teachers. Journal of Experimental Education, v. 85, n. 1, p. 73-86, 2017.

KOCH, Walter. Falares alemães no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1974.

KRUG, Marcel Sebastian. Dialetologia pluridimensional: uma introdução. Chapecó: Argos, 2015.

KRUG, Marcelo Jacó; HORST, Cristiane. O Deutsch/Deitsch de casa: sobre a arte e ousadia de transmitir a língua materna aos filhos. In: ALTENHOFEN, Cléo V.; MACHADO, Lucas Löff; PAVAN, Claudia Wolff; RADUNZ, Willian (Orgs.). Die Mottersproch in der Vielfalt des Deutschen / A língua materna na diversidade do alemão. Porto Alegre: Editora Fundação Fênix, 2022.

KUŚNIERZ, C. et al. Gender and motivation in foreign language learning. Sustainability, 2020.

LABOV, William. The Social Stratification of English in New York City. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. First published 1966.

MARCHIORE, L. de W. O. A.; ALENCAR, E. M. L. S. Motivação para aprender em alunos do ensino médio. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v. 10, n. esp., p. 105–123, out. 2009.

PINTRICH, P. R. et al. A manual for the use of the Motivated Strategies for Learning Questionnaire (MSLQ). Ann Arbor: University of Michigan, 1991.

SANTOS, F. M. T.; VIEIRA, R. M. Adaptação e validação do Science Motivation Questionnaire II (SMQ-II) para o contexto brasileiro. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 17, n. 1, p. 89-107, 2018.

SOBRAL, D. T. Motivação do aprendizado em estudantes de medicina: uso da Escala de Motivação Acadêmica. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 19, n. 1, p. 25-31, 2003.

THUN, Harald. Pluridimensional cartography. In: LAMELI, Alfre; KEHREIN, Roland; RABANUS, Christian (ed.). Language mapping. Berlin: de Gruyter Mouton, 2010.

THUN, Harald. La geolingüística variacional general (con ejemplos del Atlas lingüístico Diatópico y Diastrático del Uruguay). In: International Congress of Romance Linguistics and Philology (21: Palermmo: 1995) Atti... A curia di Giovanni Ruffino.: Niemeyer, 1998, p. 701 - 729, 787-789 v. 5

_____________. A dialetologia pluridimensional no Rio do Prata. In: ZILLES, Ana Maria (Org.). Estudos da variação linguística no Brasil e no Cone Sul. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2005.

_____________. A geolinguística pluridimensional, a história social e a história das línguas. In: AGUILERA, Vanderci de Andrade (org). Para uma história o português brasileiro, volume III: vozes, veredas, voragens. Londrina: EDUEL, 2009. Tomo II, p. 531-558.

___________. Pluridimensional cartography. In: LAMELI, Alfred; KEHREIN, Roland & RABANUS, Christian (eds). Language mapping. Berlin: de Gruyter Mouton, 2010. p. 506-523.

Downloads

Publicado

2026-02-24

Como Citar

Mendes, J. (2026). MOTIVAÇÃO PARA APRENDER E APRENDIZADO TARDIO DE LÍNGUAS: ESTUDO DE CASO COM FALANTES PLURILÍNGUES EM REGIÃO DE LÍNGUAS EM CONTATO. Revista De Geopolítica, 17(2), e1655. https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-127