ALTERAÇÕES SALIVARES ASSOCIADAS AO DIABETES E SEU IMPACTO NO MICROBIOMA SUPRAGENGIVAL

Autores

  • Pedro Guimarães Sampaio Trajano dos Santos
  • Rosana Maria Coelho Travassos
  • Vanessa Lessa Cavalcanti de Araújo
  • Vânia Cavalcanti Ribeiro da Silva
  • Verônica Maria de Sá Rodrigues
  • Josué Alves
  • Silvana Maria Orestes Cardoso
  • Adriane Tenório Dourado Chaves
  • Eliana Santos Lyra da Paz
  • Vanda Sanderana Macedo Carneiro
  • Ronaldo de Carvalho Raimundo
  • Maria Regina Almeida de Menezes

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-073

Palavras-chave:

Diabetes Mellitus Tipo 2, Cárie Dentária, Saliva, Microbioma Oral, Hiperglicemia

Resumo

Objetivo: Examinar os mecanismos biológicos que relacionam o diabetes mellitus tipo 2 ao aumento do risco de cárie dentária, com ênfase na desregulação dos açúcares salivares e nas alterações do microbioma.

Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa utilizando estudos experimentais, clínicos e de microbioma que investigaram a relação entre hiperglicemia, composição salivar e desenvolvimento de biofilme cariogênico. As evidências foram sintetizadas para esclarecer as vias mecanísticas e as implicações clínicas.

Resultados: Indivíduos com diabetes tipo 2 demonstram consistentemente maior prevalência de cárie em comparação com controles não diabéticos. Evidências emergentes indicam que a hiperglicemia crônica promove a difusão de açúcares circulantes, particularmente glicose e frutose, para a saliva. Essa alteração metabólica aumenta a disponibilidade de substrato para biofilmes supragengivais e favorece espécies acidogênicas e acidúricas. Estudos utilizando perfil metabolômico e sequenciamento microbiano demonstraram enriquecimento de bactérias cariogênicas, especialmente Streptococcus mutans, juntamente com a redução de espécies associadas à saúde, como Streptococcus sanguinis. Essas mudanças ecológicas aumentam a atividade glicolítica e a produção de ácidos, contribuindo para a desmineralização do esmalte. É importante destacar que o melhor controle glicêmico parece reverter parcialmente a elevação dos açúcares salivares e a disbiose microbiana, sugerindo uma via modificável que conecta o estado metabólico sistêmico ao risco de doenças orais.

Conclusão: O diabetes tipo 2 contribui para um ambiente oral mais cariogênico por meio de alterações induzidas pela hiperglicemia nos açúcares salivares e na composição do microbioma. A integração do controle metabólico com estratégias preventivas odontológicas pode ser essencial para reduzir a carga de cárie nessa população. Estudos longitudinais e intervencionais adicionais são necessários para fortalecer a inferência causal.

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Referências

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Publicado

2026-03-12

Como Citar

dos Santos, P. G. S. T., Travassos, R. M. C., de Araújo, V. L. C., da Silva, V. C. R., Rodrigues, V. M. de S., Alves, J., Cardoso, S. M. O., Chaves, A. T. D., da Paz, E. S. L., Carneiro, V. S. M., Raimundo, R. de C., & de Menezes, M. R. A. (2026). ALTERAÇÕES SALIVARES ASSOCIADAS AO DIABETES E SEU IMPACTO NO MICROBIOMA SUPRAGENGIVAL. Revista De Geopolítica, 17(3), e1815. https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-073