ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE UNIVERSITÁRIO: VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DE MEDICINA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-146Palavras-chave:
Assédio, Educação Médica, Violência Psicológica, Saúde MentalResumo
O assédio moral no ambiente universitário, especialmente em cursos de Medicina, constitui uma forma de violência psicológica caracterizada por comportamentos repetitivos, hostis e desestabilizadores. Sua ocorrência é favorecida por estruturas hierárquicas rígidas, exigências emocionais intensas e relações de poder assimétricas típicas da formação médica. Este estudo teve como objetivo identificar as vivências de situações de assédio moral de estudantes de Medicina em uma instituição de ensino superior do sudoeste goiano. Participaram da pesquisa 284 estudantes de Medicina, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 45 anos (M = 23,53; DP = 4,41). A coleta ocorreu entre abril e setembro de 2025, utilizando-se um questionário sociodemográfico e de experiências de violência. Os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas e testes de associação (Qui-quadrado de Pearson e medidas de efeito). Os principais resultados mostraram que, embora 71,8% dos estudantes afirmem nunca ter sofrido violência, 51,76% relataram já ter sido assediados moralmente, indicando dificuldade em reconhecer o assédio moral como forma de violência. Os agressores mais frequentes foram professores (11,3%) e colegas (5,6%), e 58,5% dos participantes não consideraram a instituição um ambiente seguro. Além disso, 84,85% afirmaram não conhecer canais formais de denúncia, evidenciando fragilidade institucional na prevenção e no enfrentamento das violências. Houve associação entre ciclo do curso e vivência de assédio, com maior prevalência no ciclo clínico. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer políticas de acolhimento, estratégias educativas e mecanismos de denúncia acessíveis, promovendo um ambiente ético, seguro e humanizado para a formação médica.
Downloads
Referências
AAMC. Addressing sexual harassment and misconduct in academic medicine: a guide for institutions. Association of American Medical Colleges, 2022. Disponível em: https://www.aamc.org/media/62996/download. Acesso em: 25 nov. 2025.
ATKINSON, J. et al. Strategies to recognize and mitigate mistreatment of medical students. Education for Health, v. 24, 2024. doi: 10.62694/efh.2024.128
BARBANTI, P. C. M. Effects of mistreatment in medical schools: how to evaluate, quantify and respond? Revista Brasileira de Educação Médica, v. 45, supl. 1, p. 1–9, 2021. https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.3-20210054.ING
BARRETO, A. D. A. L.; BABLER, F.; QUARESMA, I. Y. V.; ARAKAKI, J. N. L.; PERES, M. F. T. Projeto QUARA - Prevalência de abusos, maus-tratos e outras agressões durante a formação médica: um estudo de corte transversal em São Paulo, Brasil, 2013. Revista de Medicina, São Paulo, Brasil, v. 94, n. 1, p. 6–14, 2015. DOI: 10.11606/issn.1679-9836.v94i1p6-14. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/103732. Acesso em: 15 abr. 2025.
BRASIL. Ministério das Comunicações. Cartilha de combate ao assédio moral e sexual. Brasília: MCom, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mcom/pt- br/canais_atendimento/corregedoria/arquivos/CartilhadeCombateaoAssedioMoraleSexu al2024.pdf. Acesso em: 2 maio 2025.
CHUNG, M. P.; THANG, C. K.; VERMILLION, M.; FRIED, J. M.; UIJTDEHAAGE, S. Exploring medical students’ barriers to reporting mistreatment during clerkships: a qualitative study. Medical Education Online, v. 23, n. 1, p. 143–154, 2018. doi: 10.1080/10872981.2018.1478170.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Código de Ética Médica: Resolução CFM nº 2.217, de 27 de setembro de 2018. Brasília: CFM, 2019. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/images/PDF/cem2019.pdf. Acesso em: 6 maio 2025.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. CFM lança código inédito para promover padrão ético entre estudantes de Medicina. Portal Médico, 14 ago. 2018. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-lanca-codigo-inedito-para-promover-padrao-etico- entre-estudantes-de-medicina. Acesso em: 6 maio 2025.
FREITAS, M. E.; HELOANI, R.; BARRETO, M. Assédio moral no trabalho. São Paulo: Cengage Learning, 2008.
HIRIGOYEN, M. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. 12. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
MCCLAIN, T. S. et al. Sexual harassment among medical students: prevalence, perpetrators and consequences. Workplace Health & Safety, v. 69, n. 6, p. 257-267 2021. doi: 10.1177/2165079920969402.
MELO, M. C. C. et al. Assédio moral no ambiente universitário: revisão de literatura. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 36, eAPE03612, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/4H7JZDDzgV7wz8bkvJmMwTP/. Acesso em: 2 maio 2025.
NORA, L. M.; MCLAIN, R. et al. Gender discrimination and sexual harassment in medical education. Academic Medicine, v. 77, n. 12, p. 1226–1234, 2002. doi: 10.1097/00001888-200212000-00018.
NUNES, T. S.; TOLFO, S. R. O assédio moral no contexto universitário: uma discussão necessária. Revista de Ciências da Administração, Florianópolis, v. 17, n. 41, p. 21-43, set./dez. 2015. https://doi.org/10.5007/2175-8077.2015v17n41p21.
PHILLIPS, S. et al. Sexual harassment of Canadian medical students: a national survey. EClinicalMedicine, v. 7, p. 15-20., 2019, doi:10.1016/j.eclinm.2019.01.008.
SILLER, H. et al. Gender differences and similarities in medical students’ experiences of mistreatment by various groups of perpetrators. BMC Medical Education, v. 17, p. 134, 2017. doi: 10.1186/s12909-017-0974-4.
VATTIMO, E. F. Q.; BELFIORE, E. (org.). Assédio moral na formação médica: conscientizar para combater. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo – CREMESP, 2019. Disponível em: https://www.cremesp.org.br. Acesso em: 20 abr. 2025.