ENTRE CANTO E ENCANTARIA: A REPRESENTAÇÃO DE MARIA PADILHA NA MÚSICA “É TERREIRO”, DE DANIELA MERCURY E ALCIONE, E SUAS CONEXÕES COM A LITERATURA AFRO-BRASILEIRA A PARTIR DA ORALITURA
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-096Palavras-chave:
Literatura Afro-Brasileira, Encantaria, Maria Padilha, Oralitura, AncestralidadeResumo
Este artigo investiga como a música “É Terreiro” mobiliza a figura mítica de Maria Padilha e reinscreve sua presença simbólica dentro do horizonte da literatura afro-brasileira. A partir de uma análise que articula oralidade, performance vocal e imaginários da encantaria, examina-se como a canção constrói uma representação do feminino sagrado, da ancestralidade e da resistência cultural. O estudo fundamenta-se em autores como Martins (1999; 2005), Lopes (1999; 2005), Simas (2018; 2020), Sodré (2017), Evaristo (2011; 2016) e Zumthor (2007) pretendendo compreender de que modo a figura de Maria Padilha emerge, na música, como signo identitário e elemento de afirmação afro-diaspórica. A metodologia qualitativa, de base analítico-interpretativa, utiliza procedimentos de análise discursiva literária entre a performance musical e textos literários afro-brasileiros. Os resultados indicam que “É Terreiro” opera como narrativa poética e ritualística, configurando o espaço do canto como território sagrado, no qual Maria Padilha atua como entidade de proteção, poder e memória ancestral. A pesquisa conclui que a canção reafirma, pela via da oralitura, a força simbólica do feminino negro e a centralidade das cosmologias afro-brasileiras na construção de identidades plurais.
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Referências
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