POLÍTICAS DE CURRÍCULO E LAZER: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA CONTEMPORANEIDADE
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n2-160Palavras-chave:
Lazer, Recreação, Formação Profissional, Educação Física, Universidade Castelo BrancoResumo
O presente artigo analisa a importância da disciplina de Lazer e Recreação na formação inicial dos futuros profissionais de Educação Física, considerando os desafios impostos pela contemporaneidade e destacando o protagonismo histórico da Universidade Castelo Branco (UCB) nesse campo do saber. Partindo do pressuposto de que o lazer é um fenômeno social, cultural e político indissociável das transformações do mundo do trabalho e da vida cotidiana, o estudo problematiza as concepções reducionistas que ainda permeiam o imaginário acadêmico, as quais associam o lazer apenas à diversão descompromissada ou a um conjunto de técnicas recreativas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, desenvolvida por meio de uma revisão narrativa da literatura especializada nacional, contemplando autores clássicos e contemporâneos do campo do lazer e da formação em Educação Física. A análise evidencia que a disciplina de Lazer e Recreação constitui um eixo formativo fundamental para o desenvolvimento de uma atuação profissional crítica, ética e socialmente comprometida, capaz de dialogar com áreas como políticas públicas, cultura, saúde coletiva, turismo e intervenção sociocomunitária. Ademais, o artigo destaca a contribuição pioneira da Universidade Castelo Branco, especialmente a partir do legado do professor Raul Ferreira Neto, cuja abordagem pedagógica integrou teoria e prática por meio de metodologias ativas, como os Painéis de Recreação, consolidando a centralidade do lazer no currículo da Educação Física. Conclui-se que o fortalecimento dessa disciplina é indispensável para a formação de profissionais mais completos, aptos a compreender o lazer como direito social, dimensão constitutiva da existência humana e campo estratégico de intervenção profissional.
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